Integração de espaços define reforma de apartamento em São Paulo

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Por Mariana Mello; Fotos Maíra Acayaba
Receber amigos, integrar espaços, descomplicar. A partir dessas premissas, os arquitetos SuperLimão Studio deram vida nova ao antigo apartamento de 120 m² em São Paulo. Eliminadas as paredes da sala de estar e da cozinha, um revestimento de poliuretano branco foi instalado sobre o contrapiso e assim uniu visualmente os espaços. “Esse material tem uma forte característica industrial e fácil manutenção”, diz Antonio Carlos Figueira de Mello, um dos sócios do escritório. Prateleiras presas por cremalheiras dão versatilidade à organização, podendo ter suas posições alteradas de acordo com a necessidade do morador.

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Na cozinha, a estante acima da bancada foi projetada com tubulação de cobre e pranchas de laca fosca. Outra solução sugerida pelos profissionais: incorporar o quarto de serviço à cozinha. Com 3 metros de profundidade e voltado para a copa, o espaço abriga a geladeira e nichos organizadores nas laterais, que servem como cristaleira.

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A geladeira antiga recebeu pintura especial e funciona como bar na cozinha. Os tons opostos de roxo e verde dão alegria à decoração. Tubulações de cobre suportam as pranchas de laca onde são dispostos os utensílios de uso diário.

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Incorporado à copa, o quarto de serviço tornou-se uma área onde ficam a geladeira principal e prateleiras organizadoras. Sem divisões, o espaço beneficia-se da iluminação natural do apartamento.

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Estreito, o quarto recebeu base cinza no décor. Uma das portas do guarda-roupa, à esquerda, foi revestida com papel de parede estampado. Feita sob medida, a cama tem gavetões e criados-mudos suspensos, em uma única peça.

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Pink Floyd lança mais um clipe inédito com imagens raras para divulgar box especial com mais de 130 faixas; veja ‘Green is the Colour’

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Mais um, mais um, mais um! Até o dia 11 de novembro, data de lançamento do box “The Early Years, 1965 – 1972”, os fãs do Pink Floyd vão ganhando aperitivos do que vem por aí na coletânea especial que vai relembrar os primeiros anos da banda. Nesta quinta-feira (27), o grupo lançou mais um clipe inédito e a faixa escolhida foi “Green is the Colour”, lançada originalmente em 1969. Dá uma olhada:

O clipe mistura imagens de uma praia deserta com as da banda se apresentando no festival Pop Deux, em Saint Tropez, na França, no dia 8 de agosto de 1970. Na época, o hit bombava depois de fazer parte da trilha sonora do filme “More”, de Barbet Schroeder.

Esse é o terceiro remix que o Pink Floyd libera pra divulgar o projeto. No mês passado, a banda soltou uma nova versão de “Granchester Meadows”, original do disco “Ummagumma”, de 1969. Depois, foi divulgado também um vídeo especial para “Childhood’s End”, do disco “Ummagumma”, de 1969. O box vai ser lançado oficialmente no próximo dia 11, com mais de 12 horas de músicas, divididas em nada menos que 130 faixas. [Bis]

Homens e drag queens ganham mais espaço no mundo da maquiagem e na SPFW

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Cantor participou de painel sobre maquiagem na SPFW.  Foto: Juliana Knobel

A São Paulo Fashion Week traz para a sua 42ª edição a temática de diversidade e inclusão das pessoas trans, porém, as barreiras de gênero não estão sendo quebradas só nas passarelas. No quarto dia de evento, a Praça Natura convidou uma drag queen e o cantor Johnny Hooker.

Num papo com o Emais, Johnny e a drag queen Divina Raio-Laser, criação do ator Yheuriet Kalil, falaram sobre o espaço para homens e drags no mundo da maquiagem, que vem crescendo nos últimos anos. Para o cantor, a mudança de comportamento em relação a maquiagem vem principalmente da nova geração. “A hora de atacar a caretice é agora.”

Johnny ficou conhecido pelo público por abusar da maquiagem escura nos olhos em suas apresentações e acabou reunindo fãs que também seguem a tendência. “É muito legal quando os fãs vão ao show maquiados, você percebe que, de alguma maneira, você está fazendo o seu trabalho de formiguinha, em relação a percepção que as pessoas têm delas mesmas.”

Para o cantor, a maquiagem é uma forma de expressão importante e empoderadora. “As pessoas estão percebendo que elas podem ser uma criação delas próprias, e não uma coisa ditada, um padrão, uma regra”, reflete. “Quando você gosta de artistas que se expressam dessa forma, você também sente vontade de experimentar e se permitir”.

A drag queen foi uma das convidadas para falar sobre maquiagem na SPFW. 

A drag queen foi uma das convidadas para falar sobre maquiagem na SPFW.  Foto: Juliana Knobel

Grandes consumidoras de maquiagem, as drag queens também começaram a ser alvo de marcas de cosméticos recentemente – o que explica o convite para a participação de Divina Raio-Laser no evento. “O papel do mercado e das marcas é mostrar para o público que todo mundo é livre para usar o que quiser. É difícil atingir certos segmentos e nichos, mas de um ano para cá a gente está vendo diversas marcas abraçando o movimento”, diz Divina.

Para a artista, é necessário quebrar ainda mais a barreira de gêneros, principalmente em relação à moda e maquiagem. “As marcas têm que dialogar com trangêneros, drag queens, LGBTQs, que também consomem, e muito, os produtos.”

E como consomem. Para as drag queens, há um gasto maior de cosméticos, já que além da costumeira pintura exagerada, é necessário a utilização dos produtos para dar uma base, escondendo a marca da barba e desenhando formatos no rosto. “Eu duvido que aqui na Fashion Week exista alguém que esteja com mais maquiagem que eu. Foram duas horas maquiando o rosto”, brinca Divina.

Por necessidade, as drag queens se tornaram especialistas em maquiagem e, atualmente, além de maquiar os próprios rostos, as artistas também ensinam suas técnicas para homens e mulheres por meio de cursos e canais de vídeo na internet. “A drag queen faz uma maquiagem para se aproximar da feição feminina. Então, entre a nossa maquiagem e a de uma mulher, só muda o peso da mão, as técnicas são as mesmas”, esclarece a profissional. “Quem entende mais de maquiagem do que uma drag queen?”, indaga.

Para Divina, é impossível falar sobre o aumento de visibilidade da arte das drag queens sem citar o reality show RuPaul’s Drag Race, em que artistas disputam a oportunidade de serem coroadas como representantes e sucessoras de RuPaul, esbanjando carisma e mostrando habilidades com maquiagem e moda. “O programa desmitificou e introduziu o público ao mundo das drag queens, as pessoas começaram a descobrir o que é e começaram a entender melhor até questões de gênero”.

Por conta do reality show, Divina vê um aumento no número de adeptos a arte do drag – com destaque para um número ainda mais crescente de mulheres aderindo à expressão. “O mundo de hoje é um pouco mais aberto e graças aoRuPaul’s Drag Race cada vez mais meninos e meninas estão fazendo drag. Essa é uma expressão artística e arte não tem gênero”. [Pedro Rocha]

Polícia investiga Rob Kardashian por ameaçar o rapper Pilot Jones que foi fotografado beijando Blac Chyna

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Blac Chyna, Rob Kardashian e Pilot Jones (Foto: Getty Images/Reprodução Instagram)

Rob Kardashian está sendo investigado por supostamente ter ameaçado o rapper Pilot Jones, que foi fotografado beijando sua noiva Blac Chyna. As imagens foram divulgadas esta semana, mas ainda não se sabe quando foram tiradas.

De acordo com o TMZ, a polícia de Los Angeles (EUA) está investigando Rob por ter enviado mensagens com ameaças ao rapper. “Deixe a minha mulher sozinha. Não estou brincando com você”, teria dito o irmão de Kim Kardashian em uma das mensagens.

Vale lembrar que Blac Chyna e Rob estão esperando um bebê. Curiosamente, a modelo, já tem um filho com o rapper Tyga, que atualmente é namorado de Kylie Jenner, meia-irmã de Rob.

As fotos em que Chyna aparece beijando Pilot Jones vazaram no começo da semana (veja aqui). Mas os rumores de uma suposta traição de Chyna com Pilot surgiram em setembro, quando o Radar Online publicou a notícia de que as irmãs Kardashian acreditavam que Rob poderia não ser o pai do bebê de Chyna.

Nome quente do mercado, Amanda Schön transforma maquiagem em ativismo

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Amanda Schön dando os últimos retoques antes de começar o desfile da Iódice ©Agência Fotosite
Por Isabella de Almeida Prado
Ao entrar no backstage da A.Brand, já dava para perceber que o clima era diferente; era o tom dado por Amanda Schön, maquiadora de 31 anos que assinava sua primeira beleza de um desfile do SPFW. Muito calma, ela massageava com toques leves o rosto de uma das modelos que esperavam para começar a maquiagem, enquanto conversava com um grupo de quatro jornalistas.

Amanda é um dos nomes mais interessantes do mercado atual. Além de transformar a maquiagem em uma forma de expressão artística, a maquiadora vai na contramão da beleza como acessório e usa seu trabalho como meio de levantar bandeiras políticas e disseminar a causa feminista e da diversidade no mercado de moda. “Eu sei que certas informações não chegaram para algumas pessoas ainda, mas já chegaram pra mim e eu quero compartilhar isso. Estou o tempo todo defendendo essas bandeiras”, afirma.

Este é um momento importante na carreira da maquiadora, que recentemente assinou ensaios da “FFWMAG” #42 trabalhando com Zee Nunes, Dani Ueda e Pedro Sales. Já no SPFW, ela fez a beleza da A.Brand, o cabelo da Iódice e toda a beleza da Just Kids. O trabalho tem agradado: “Amanda captou bem o espírito da marca. Fizemos uma prova de maquiagem e foi maravilhoso. Brilho saudável e beleza natural”, diz Ana Claudia Zander, diretora criativa da A.Brand.

Confira abaixo um bate-papo com a maquiadora, logo após o desfile da grife carioca na terça-feira. FFW

A Brand SPFW - N42 Outubro / 2016 foto: Sergio Caddah/ FOTOSITEAmanda Schön no backstage da A.Brand ©Sergio Caddah/Agência Fotosite
Quando foi o seu primeiro contato com a maquiagem?
Minha família disse que foi desde criança. Eu gostava muito, maquiava todo mundo com a maquiagem da minha avó, até meu avô. Mas a vida vai correndo e os caminhos vão mudando…
Qual é a sua formação?
Eu cursei Publicidade. Sou de São Bernardo, que apesar da proximidade com São Paulo, é bem provinciana. Lá uma carreira é você sair da escola, fazer faculdade e entrar em uma empresa, de preferência uma multinacional. Era essa a responsabilidade que eu sentia nas minhas costas. Nunca consegui olhar para as coisas que eu gostava de fazer como uma maneira de trabalhar, uma profissão. Fui gerente de banco com 18 anos. Uma vez fui em um salão em São Bernardo. Ia cortar o cabelo e peguei as coisas que estavam por lá e comecei a me maquiar. O maquiador de lá, o Eduardo Hyde, falou para mim “cara, você já pensou em maquiar alguém?” e eu disse “não” – apesar de que sempre fui a pessoa que maquiava as amigas, fazia o cabelo de todo mundo. Fiquei com isso na cabeça e comecei a trabalhar como assistente dele no salão aos finais de semana.

E quantos anos você tinha quando teve essa primeira experiência?
Tinha 22 anos. Na época já tinha trancado a faculdade, no último ano. Ainda trabalhava no banco, tinha minha filha Alice e já estava grávida do Vicente. Isso foi acontecendo, até o momento que ele [Eduardo Hyde] começou a fazer os seus primeiros trabalhos de moda e eu ia acompanhando. Na época, ainda ia de modelo dele. Eu odeio, morro de vergonha. Mas começou assim, o interesse. Eu tinha responsabilidade de vida adulta já, com aluguel, contas, filhos. Então era complicado sair do banco e investir em uma carreira meio incerta e que existe um investimento de mala, equipamento…

Quando você conseguiu sair do emprego e focar na profissão de maquiadora?
Eu saí do banco e com o dinheiro que recebi de lá, montei a minha mala e comecei a trabalhar.

E o envolvimento com a moda? Foi mais natural?
Sempre foi uma coisa que eu gostei, mas era fora da minha realidade. As faculdades são supercaras e a minha família nunca teve grana. Eu trabalho desde os 13 anos. Então sempre foi uma coisa meio fora, até para a minha família, que gostava, mas dizia “como você vai bancar?”. Eu desisti. Vim trabalhar com isso depois, nunca queria salão, sempre vi a moda como maneira de me expressar artisticamente com a maquiagem e o cabelo.
Qual foi o primeiro trabalho de moda que você fez?
Fiz muito backstage com o Edu Hyde. O primeiro foi com ele, nem estava assinando, mas ele me chamou para a equipe. Esse dia eu lembro muito, meu primeiro backstage de SPFW; a primeira vez eu entrei e pensei “Caraca, que incrível!”. Pirei. Desde o primeiro dia, meu sonho era assinar um desfile, ver isso acontecer.

Você lembra qual era o desfile?
Era da Osklen.

Hoje você trabalha com Dani Ueda, Zee Nunes, fez diversas colaborações para editoriais da nova “FFWMAG”. Como é esse novo momento?
Ainda não parei para pensar sobre isso, tudo aconteceu tão rápido. Não é nenhum milagre, eu tenho construído a minha carreira. Nos últimos meses foi uma avalanche. As pessoas foram me conhecendo, dando oportunidade, e a primeira oportunidade viraram dez. O meu primeiro trabalho com o Zee Nunes foi agora, com a capa da “FFWMAG”, da Lorena [Maraschi], e já tinha trabalhado com o Pedro [Sales] antes. Quem me indicou para eles foi o Rodrigo Costa. Ele foi meu padrinho aqui em São Paulo, me apresentou para toda essa galera. É maravilhoso. Eu sinto segurança de trabalhar com eles, que sabem muito bem o que querem e ao mesmo tempo me dão abertura e liberdade criativa. Eu participo muito, a gente opina no trabalho um do outro. É realmente uma equipe, todo mundo colabora de fato. No começo da minha carreira, o meu lugar era do lado do monitor olhando se o cabelo saía do lugar. Hoje em dia, não é mais assim. Se eu tenho uma ideia de um acting da modelo ou de alguma coisa pro styling, eu tenho absolutamente toda liberdade de falar. E eu também dou essa liberdade para as outras pessoas, é incrível. Adoro trabalhar com eles, a vibe é muito boa e estamos sempre em comunhão. Não só com ele, mas também com o [Rafael] Pavarotti, que me dá imagens lindas, o George Krakowiak, que é um gênio também.

Você não tem uma agência que cuida da sua agenda e trabalhos. O que te fez querer ter essa autonomia?
Quando eu estava no Rio, eu tinha uma agência, mas eles não tinham uma sede lá, o que dificultava, porque eles não estavam me representando na cidade. Mas eu também sempre fui muito cara de pau. Quando fui pro Rio, já tinha mandado meu portfólio para todos os fotógrafos, stylists. De pouquinho em pouquinho, fui pegando trabalhos menores, depois maiores e foi rolando. Quando voltei pra cá, eu estava muito em busca do meu trabalho autoral. Investi um tempo para pesquisa, até para amadurecer a estética que eu estava tentando representar. No começo não tinha tanta demanda assim, então não precisava de alguém. Hoje em dia, já está ficando complicado. É muita demanda para cuidar e isso acaba me privando um pouco do meu processo criativo. Eu gostaria de ter alguém não exclusivo, mas que cuidasse de mim de uma forma mais próxima. Procuro manter essa relação com os meus clientes. Quando você está em uma agência, tem 300 maquiadores, óbvio que as pessoas não conseguem lidar com tanta proximidade nem de você, nem do cliente. Eu ainda não sei o que vai ser… De verdade! SPFW foi uma prova pra mim. Depois disso aqui, vou precisar de uma ajuda. Mas deu tudo certo, trouxe uma equipe a dedo, não pedi de agência. Consegui ter todo mundo que eu queria aqui. Próximo passo é encontrar essa pessoa ou grupo que consiga cuidar de mim de uma maneira mais pessoal.

Em uma das fotos do editorial da Lorena Maraschi, na nova “FFWMAG”, ela aparece com uma marca de ferro na testa, como se tivesse sido queimada como gado. Uma imagem bem impressionante. Como você dá identidade ao seu trabalho? Dá para levantar bandeiras políticas por meio da maquiagem?
Dá muito! Meu trabalho autoral é muito político. Até o que não é autoral. Óbvio que não é tudo que eu consigo levantar bandeiras no trabalho final, mas eu faço de tudo por trás para a gente não continuar repetindo erros que a gente sabe que estão massacrando e passando por cima de pessoas. Eu sei que certas informações não chegaram para algumas pessoas ainda, mas já chegaram pra mim e eu quero compartilhar isso. Estou o tempo todo defendendo essas bandeiras. Esse editorial foi incrível, porque foi o primeiro que fiz com o Zee e ele também é vegetariano, eu sou vegetariana e a Lorena também. Queria fazer algo contra o especioso, de achar que o animal não sofre ou vale menos que você. A nossa ideia foi fazer uma “punk farm”: o mundo que a gente conhece acabou, ela está numa fazenda em que todos os animais morreram e ela se alimenta e vive dos vegetais e usa acessórios dos animais. É de causar um pouco de desconforto, a questão da marcação, porque “no bicho não dói”, mas numa pessoa choca. Com todos os cuidados, a gente queria muito fazer isso. Meu trabalho tem disso, eu gosto de manchar a pessoa, de fazer uma cicatriz. Eles me deram uma liberdade criativa absurda nesse dia. A gente fez seis maquiagens diferentes e fluiu muito, consegui colocar o que eu queria.

E como funcionam as campanhas? Você consegue ter mais liberdade?
Tem todo um briefing, uma pesquisa de mercado. Mas acho que hoje, consigo ter mais liberdade. Mesmo nas campanhas, a minha pele é leve do mesmo jeito. Se tem uma característica da pessoa que está sendo tolhida em outros lugares, uma modelo de cabelo afro, não aliso de jeito nenhum. Quero ela com um cabelo desse tamanho! Estou em defesa das texturas, da diversidade. Mesmo em campanha, em um trabalho mais comercial, eu já consigo trazer essa mulher que eu acredito. Ela pode estar com um batom vermelho, laqueado, mas a pele muito leve.

Ela é uma mulher que aceita as imperfeições, então?
Exatamente, é autoconhecimento, aceitação e autoestima. Estamos em um momento de rever milhares de coisas, de descobrir a nossa autoestima, o quão maravilhosa a gente é sem todas essas capas, essas coisas que colocam em cima da gente compulsoriamente. Você pode amar usar maquiagem, mas não é legal ser escrava disso. Não é legal dizerem para você que você está bonita porque está maquiada, porque está tapando um monte de coisas que as pessoas dizem para você que é feio, mas na verdade não é, sabe? Esses moldes de maquiagem, que você ilumina aqui, marca ali. Não, cara! Cada rosto é um rosto. Tem gente que gosta da bochecha, então deixa ela vir. Tem gente que não gosta, mas se você mostrar pra ela que é bonito, de um outro jeito, ela vai passar a gostar. A minha mulher tem inseguranças, mas ela é independente, ela é uma mulher em descontração. Ela está aí querendo mostrar a cara dela mesmo, dizendo que faz o que ela quiser. Ela é linda na hora que ela acorda e na hora que vai dormir. Linda no dia que está com a cara lavada e linda quando está usando um olho preto com cílios postiços.

abra_blz_n42_010A beleza supernatural da A.Brand, criada por Amanda. Além da pele levemente iluminada, bochechas rosadas e cabelos marcados como se estivessem presos com elástico durante o dia na praia ©Agência Fotosite

Existe não só no Brasil, mas no mundo, uma cultura da beleza disseminada por tutoriais do YouTube. Você acha que maquiagem é empoderamento?
Isso é bem complexo. A gente acaba tendo mais mulheres que falam por isso, o que eu acho maravilhoso, porque no resto da mídia, existem mulheres que dizem o que homens falaram para elas dizerem. Até no mercado de moda, temos uma ideia que é produzida por homens. Ela veste mulheres, mas o nosso mercado é dominado. Estilo, styling, beleza… O que tem hoje no mercado de mulheres na beleza? São poucas, vista a quantidade de homens. Isso é meio complicado porque a gente continua a trazer referências do que é ser mulher, do que é ser bonita e estar na moda, mas é uma mensagem que a gente está recebendo de homens. A gente deixa de se sentir bonita, de saber como a mulher se sente bonita. E tem muita diferença! O que me assusta um pouco nesses tutoriais é que eles ainda são dentro desse modelo de beleza carregado e que serve para todo mundo. Tem a Nataly Neri que é maravilhosa e que está falando de empoderamento e de moda, mas ela compra as roupas dela no brechó mais barato, é garimpeira, e fala sobre a maquiagem que embeleza a beleza negra. Tem essas pessoas, mas o total ainda vem muito com a coisa da Kim Kardashian. Isso é uma coisa que veio lá de fora, mas ainda aparece por aqui. Você ilumina aqui, você marca ali e você está linda. Isso me preocupa um pouco, porque comunica com muita gente e não tem um contraponto, tipo, não, vou fazer aqui um tutorial de maquiagem que fica bom em mim. Minha boca é assim, mas se a sua for assado, desencana, é maravilhoso. Tem muito pouco ainda. De qualquer jeito, tem mais mulheres que estão falando; mesmo maquiada, ela está com uma câmera na frente dela, não está sendo dirigida ou roteirizada. Essa democracia da internet, com certeza, empodera a mulher.

Dá para eleger algo de mais especial que você já fez em sua carreira?
Cara, tive momentos realmente maravilhosos! Não só de expressão de trabalho, mas de exercer coisas, de colocar coisas que eu acreditava. Acho que hoje, o SPFW. Era o meu sonho, tinha todo mundo que eu queria do meu lado. Estou muito feliz com o resultado, com tudo que fiz. Eu não consigo classificar, cada um tem um significado especial.

Você fez a maquiagem da Elza Soares, para a capa do último álbum dela…
Nossa, Elza Soares! Um dos momentos mais incríveis da minha vida, não só da minha profissão. Sempre gostei da Elza, em casa a gente sempre escutou. Já admirava a história dela, só que quando você entra em contato com a pessoa e sente a energia ali, foi um set que a gente se emocionou o dia inteiro. Não era só eu não, todo mundo. Você olhava para as pessoas e elas estavam lacrimejando. É muito forte. Ela é a voz do milênio, mais reconhecida na gringa do que aqui. No mundo, as pessoas ovacionam essa mulher. Uma mulher negra, periférica, que teve um monte de filhos, sofreu todo tipo de violência, e está aí, cantando com a voz dela. Ela é guerreira, um ícone pra mim!

Tem alguma pessoa com quem você tem o desejo de trabalhar?
Adoraria, como realização, estar no backstage com a Pat McGrath. Acho ela genial. E é uma mulher negra, ali nesse espaço, reinando há muito tempo.

O que falta na beleza?
Desconstrução. É isso. O que eu estou tentando fazer, que é desconstruir esses conceitos de beleza, deixa ela vir sozinha, do jeito que ela é. Uma vez que você desconstruir, você tem muito mais liberdade para brincar. Para colocar uma sombra azul, um desenho no meio da cara se você quiser.

Por que o ser humano adora seguir uma moda

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O desfile de Fernanda Yamamoto reuniu o time conceitual da moda. Foto: WERTHER SANTANA/ESTADÃO
A gente cansa de dizer que a moda não segue mais tendências e vem se libertando das regras e das imposições, mas quando nos deparamos com o público dos desfiles da São Paulo Fashion Week, percebemos claramente que existe sim uma certa unidade no jeito de vestir de cada uma das plateias.
Na terça-feira, 25 , na apresentação da estilista Fernanda Yamamoto, que é superminimalista e segue a escola do japonismo fashion, as pessoas estavam vestindo o mesmo estilo de roupa meio conceitual da passarela. O look é no visual galeria de arte/vernissage, com vestidos amplos, abaixo do joelho e sexualidade zero.

Digital influencers na SPFW: Taciele Alcolea, Camila Coutinho e Maddu Magalhães.

Digital influencers na SPFW: Taciele Alcolea, Camila Coutinho e Maddu Magalhães. Foto: Reprodução/Instagram
As blogueiras de moda, supermontadas, maquiadas e penteadas eram a maioria no desfile do Experimento Nohda, comandado por Patricia Bonaldi. Explica-se: a estilista fez sua fama nas redes sociais, tem mais de um milhão de seguidores no Instagram e há tempos ajuda a abastecer o guarda-roupa de blogueiras amigas com suas criações.
Na apresentação da marca carioca A.BRAND, um grupo grande de meninas que assistiam ao desfile eram bronzeadas, falantes, usavam roupas despojadas estampadas. Enfim, faziam bem o estilo meninas do Rio.

O rapper Emicida levou a diversidade para a passarela e chamou a atenção. Seu público é street e veste a camisa.

O rapper Emicida levou a diversidade para a passarela e chamou a atenção. Seu público é street e veste a camisa. Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
No Teatro São Pedro, Ronaldo Fraga reuniu artistas, músicos, atores e atrizes em torno de sua coleção. Todos vestidos de maneira alternativa, com uma peça ou outra que remetia ao artesanato brasileiro.
O rapper Emicida levou muito mais do que a favela para as passarelas, como havia dito. A marca LAB apresentou roupas com pegada urbana e contou com modelos negros, gordos, de black power e carecas. Atitude que agradou todo mundo.
Enfim, observar o público de cada estilista reforçou aquela velha teoria social: por mais que a moda libere a gente de amarras, e que as tendências pareçam não fazer mais sentido, há uma inclinação absurda, talvez até uma necessidade, de pertencer aos grupos, gangues, tribos, e de se vestir mais ou menos de acordo com o nosso círculo social. [
Maria Rita Alonso]

Evento especial: conforme esperado, Apple lança novos MacBooks Pro com Touch Bar

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por Silvio Sousa Cabral

Conforme esperado, a Apple anunciou hoje a sua nova linha de notebooks profissionais, o MacBook Pro.

Ao falar sobre ele, Phil Schiller, vice-presidente sênior de marketing mundial, comentou uma série de melhorias realizadas na sua construção, mas a principal delas é a barra OLED acima do teclado, destinada a habilitar diversas funcionalidades contextuais a partir dos aplicativos em execução.

Parte das novidades são otimizações nas suas dimensões e peso. O produto continuará à venda em modelos de 13 e 15 polegadas. O primeiro é 17% mais fino (são 14,9mm de espessura, contra os 18mm do anterior) e pesa 1,36kg. Já o segundo saiu de 18mm para 15,5mm de espessura, ou seja 14% menos (com 20% menos volume), pesando 1,81kg.

Os teclados das máquinas foram atualizados para o método de construção empregado no MacBook atual, com mecanismo borboleta (de segunda geração, segundo Schiller) e teclas de maior dimensão. Além disso, foi possível aumentar as dimensões do trackpad com Force Touch (2x maior que nos modelos anteriores).

Touch Bar

É o nome da tão falada barra OLED, que está chegando para substituir as teclas fixas de função no teclado dos notebooks da Apple. Além de permitir comandos sensíveis ao contexto do aplicativo em uso, ela também abriga um sensor Touch ID, situado à direita.

Novo Final Cut Pro X no novo MacBook Pro

O sensor foi construído com a tecnologia de segunda geração empregada nos iPhones 6s/6s Plus, coberto com cristal de safira e conectado a um novo chip T1 na placa lógica dos notebooks. O T1 é o dispositivo que embarca a Secure Enclave para armazenamento da digital do usuário, tornando viável o desbloqueio da máquina e o uso com o Apple Pay, através da mesma tecnologia de proteção dos iPhones e iPads.

Essas são funcionalidades triviais habilitadas até hoje pelo Touch ID. Mas no novo MacBook Pro, ele também foi integrado à troca rápida de usuários. Ou seja, cada usuário do computador pode registrar suas digitais em partições diferentes da Secure Enclave e, ao reconhecer um determinado acesso, o macOS alterna automaticamente para o perfil do usuário correto, sem a necessidade de selecioná-lo em tela.

Nos apps do sistema operacional e outros produzidos pela Apple, foram incorporadas diversas funções à Touch Bar. Alguns terceiros também foram convidados para apresentar suas experiências de integração, que serão abertas para todos os desenvolvedores de aplicativos para Mac.

Cada aplicativo com suporte a Touch Bar permite total personalização do que você deseja que apareça na barra de comandos. E claro: durante a digitação, você pode acessar emojis rapidamente por meio dela. 😉

Hardware

Diferentemente dos MacBooks, os novos MacBooks Pro continuam a usar ventoinhas (e são duas, a partir de agora). Temos configurações com processadores Intel Core i5 e i7, de sexta geração. Apesar da redução nas dimensões, a duração da bateria permanece igual, por até 10 horas.

Novos MacBook Pros fechados de lado

Falando de gráficos, tanto o modelo de 13 quanto o de 15 polegadas terão acesso a configurações dedicadas. Os processadores trazem a GPU Intel Iris integrada e estão disponíveis algumas opções da família ATI Radeon Pro (Polaris) com até 4GB de memória dedicada.

Na parte de periféricos, teremos acesso a SSDs mais velozes (3,1GB/s de banda) com 2TB de capacidade de armazenamento (máximo) e 4 portas Thunderbolt 3 (em cada modelo, tanto de 13 quanto de 15 polegadas), com suporte a USB 3.1 e DisplayPort 1.2. Não haverá MagSafe 2 dedicada, mas por outro lado, todas elas servem para recarga da bateria.

A tela Retina permanece nas mesmas resoluções anteriores para os dois modelos, mas é 67% mais brilhante e conta com contraste 67% maior e uma maior variedade de cores (25% a mais relação ao modelo anterior). E não, a Apple não tirou a interface de áudio para fones de ouvido. 😝

Preço e disponibilidade

Nova linha completa de MacBooks Pro

O MacBook Pro de 13 polegadas será vendido em duas edições, com e sem a Touch Bar (e o Touch ID), enquanto o seu irmão maior, de 15 polegadas, será equipado com a grande novidade por padrão. Ambos começam a ser vendidos a partir de hoje em duas cores (prateada e cinza espacial), por respectivamente US$1.500, US$1.800 e US$2.400 — aqui no Brasil por R$11.500, R$13.900 e R$18.500.