Sede da Etsy em Nova York tem ambientes alegres e descontraídos

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Para a sede global da loja online Etsy no Brooklyn, em Nova York, o escritório Gensler desenhou interiores alinhados com a filosofia da empresa de sustentabilidade e de trabalhos artesanais.
Cheios de cores, plantas e com um estilo eclético, os espaços são decorados com mobiliário de artistas locais e vendedores do site, feitos à mão ou de pequenas manufaturas. Além disso, o Gensler reutilizou materiais e objetos onde foi possível.
Com 18.580 metros quadrados, o escritório conta com espaços de trabalho individuais, para equipes e para reuniões.
Cada um dos nove andares foi pensado como um “ecossistema” equilibrado e quase todos contam com sua própria cozinha.
O último andar forma um terraço para momentos de descontração e conta com painéis solares. Gabriela Domingues Fachin

Fonte: Designboom

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FFWMAG 42: o phubbing, a ansiedade e a necessidade de um pouco de vida offline

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Por João Lourenço, especial para a FFWMAG, dos EUA
No livro A Visita Cruel do Tempo, dois amigos de infância se reencontram e um deles questiona: “Basta eu passar alguns anos preso para a porra do mundo inteiro virar de cabeça para baixo. Todo mundo fala como se estivesse chapado, porque está mandando e-mails para outras pessoas durante todo o tempo em que está conversando com você. Que porra é essa?”.

A insatisfação do personagem tem nome: phubbing — gíria composta pelas palavras phone e snob. Significado: ESNOBAR. Basicamente, phubbing é o que eu, você e todos ao redor fazemos muitas vezes sem perceber: damos preferência ao celular e ignoramos a pessoa que está conosco.

O livro da autora Jennifer Egan explora, entre outros temas, essa ansiedade e desconforto que a tecnologia trouxe para o nosso dia a dia. Em um encontro com a escritora, perguntei do que ela mais sentia falta antes do smartphone tomar o mundo de assalto. Jennifer disse: “Sinto falta da sensação de estar realmente sozinha”. Ela contou sobre uma viagem que fez para a Europa, sem conexão instantânea com a família e os amigos: “Isso foi no começo dos anos 1980. Naquela época, se você quisesse ligar para casa, tinha que ficar na fila de um telefone público e, às vezes, quando chegava a sua vez, não encontrava ninguém do outro lado da linha ou, então, sinal de ocupado. Não tinha como deixar mensagem de voz, nada. Mas essa situação de isolamento gerou autoconhecimento. Esse isolamento, que não tem a ver com solidão, é uma parte essencial do ser humano”. Jennifer explica: “As pessoas não têm mais essa experiência. Estamos muito distraídos e presos em bolhas virtuais. Não estamos mais totalmente envolvidos com o presente e isso me preocupa”. 

Para Sherry Turkle, socióloga e terapeuta comportamental do MIT (Massachusetts Institute of Technology), podemos mudar esse cenário de ansiedade e distração por meio da conversa, do bom e velho olho no olho. Sherry passou 30 anos observando como reagimos e nos adaptamos às tecnologias que alteram a nossa forma de comunicação. Em seu último livro, Reclaiming Conversation: The Power of Talk in a Digital Age, analisa a forma como as novas plataformas de comunicação online — SMS, Facebook, Instagram, Snapchat etc. — substituíram a conversa cara a cara que, para ela, é a coisa mais humana e valiosa que possuímos. “Estar presente e em sintonia com as pessoas ao nosso redor nos ensina a ouvir melhor os nossos pensamentos e a compreender o próximo. É nesse tipo de conversa que desenvolvemos nossa capacidade de empatia. Conversas geram autorreflexão. Mas hoje encontramos caminhos para fugir daquela conversa em que necessitamos estar presentes. Apesar de estarmos conectados todo tempo, nós nos escondemos uns dos outros.”

Ela observa que chegamos a um ponto em que “fugimos” até de conversas por telefone. Isso está moldando a imagem que mantemos de nós mesmos. Sherry insiste que encontrar pessoas para conversar e interagir ainda é uma das melhores maneiras de combater os sintomas da vida online. “Conversa aberta e espontânea, conversa em que discutimos ideias ou apenas falamos bobagens, nos permite estar presentes e vulneráveis. É nesse tipo de conversa que empatia e intimidade florescem.” 

Abaixo, algumas pesquisas e situações que ajudam a comprovar a necessidade da vida off-line.

Olho no olho gera maior conexão emocional
Em um recente estudo publicado no Journal of Psychosocial Research on Cyberspace, amigos de faculdade da mesma idade foram convidados a se comunicar de quatro maneiras diferentes: tête-à-tête, bate-papo em vídeo, ligação telefônica e mensagem instantânea. Em seguida, o grau de conexão emocional nessas amizades foi avaliado em uma pesquisa que questionou como elas se sentiram após as conversas e por meio da observação do comportamento dos participantes. Conclusão: a conversa presencial apresentou o resultado de maior conexão emocional, enquanto mensagens instantâneas figuraram em último lugar.

Diploma em conversa
Pensando no quadro acima, algumas universidades já começam a oferecer programas de conversação. No livro Reclaiming Conversation, Sherry Turkle cita o exemplo de um jovem que se inscreveu para um desses cursos. Ele relatou que queria aprender a usar o telefone para fazer ligações em vez de utilizar o aparelho apenas para enviar mensagens. Disse que não queria passar uma vida inteira em silêncio. Sherry percebeu o mesmo desconforto em outros jovens. Segundo a socióloga, eles têm a sensação de que estão perdendo algo valioso, mas não sabem como se afastar de seus aparelhos. O mesmo está acontecendo com os pais desses jovens. Para Sherry, não se trata apenas de um problema geracional, mas social. “Cada nova tecnologia oferece uma oportunidade para perguntar se ela serve aos nossos propósitos humanos. Então, inicia-se um trabalho de tornar tal tecnologia melhor. No caso da tecnologia de comunicação, nós estamos apenas começando.” Sherry prevê um aumento em aplicativos voltados para a sociabilidade. “Às vezes, parece mais fácil inventar uma nova tecnologia para nos conectar em vez de simplesmente iniciar uma conversa”.

Detox digital
No Vale do Silício, empresas como Facebook, Twitter e Google já começaram a sentir o impacto dessas tecnologias na vida pessoal e na produtividade dos funcionários. Perceberam que eles estão mais frios, depressivos e desmotivados. Alguns CEOs incentivam os funcionários a se desligar do smartphone e, para isso, oferecem salas de meditação, ioga e palestras que têm como o objetivo diminuir o estresse e aumentar a produtividade. Algo deve estar errado mesmo quando até o maior centro de desenvolvimento de tecnologia mundial já percebeu que está na hora de desacelerar. Além do Vale do Silício, é comum encontrar empresas que oferecem pacotes de “detox digital” para os funcionários. Nos Estados Unidos, a Digital Detox é uma das empresas mais procuradas quando o assunto é “desacelerar”, oferecendo retiros em lugares remotos, em que os participantes, sem acesso à internet, são forçados a viver off-line. No manifesto da empresa, há fatos e números importantes: 67% dos usuários de smartphones verificam o aparelho mesmo quando ele não está tocando ou vibrando; duas horas diárias no trabalho são desperdiçadas na recuperação das distrações das redes sociais; o uso intensivo das redes sociais resulta em aumento da solidão, inveja e medo.

Espaços sagrados
Sherry diz que podemos começar esse tal “detox digital” em nossa própria casa. Ela sugere a experiência de uma noite ou fim de semana off-line — e, se possível, transformar esse hábito em parte da rotina. Sherry também defende que, se os pais aprenderem a controlar o uso desses aparelhos na vida dos filhos desde cedo, a criança vai aceitar essa atitude como uma base cultural familiar em vez de uma punição. Na biografia de Steve Jobs, o autor Walter Isaacson relata que Steve não permitia que os filhos utilizassem iPad e iPhone na mesa de jantar. “Todas as noites, Steve fazia questão de jantar na grande mesa de sua cozinha, na qual discutia livros, história e uma variedade de coisas. Ninguém nunca se atreveu a mexer em um iPad ou mandar mensagens de texto na mesa.”

Unitasking
Hiperconectados, nós nos imaginamos mais eficientes, mas isso, segundo Sherry, é uma ilusão. “O multitasking degrada o nosso desempenho em tudo o que fazemos, dando-nos a sensação de que estamos mais rápidos e espertos.” Uma pesquisa realizada em Londres revelou que, em média, verificamos 40 websites por dia, alternando de atividade 37 vezes por hora, mudando tarefas a cada dois minutos. A pesquisa também mostrou que apenas entre 1% e 2% da humanidade é capaz de realizar multitarefas. E não para por aí: para o resto de nós, quanto mais realizamos tarefas ao mesmo tempo, pior ficamos. A saída, de acordo com Sherry, seria o unitasking. “Focar em apenas uma tarefa é algo que libera e expande a nossa criatividade e produtividade. Focar em apenas uma coisa também diminui o estresse.”

Fale com estranhos
Não aceite nada de estranhos. Não converse com estranhos. Independentemente da cultura ou classe econômica, esses avisos costumam ser ouvidos por toda criança. Tudo bem, quando o assunto é criança, todo cuidado é pouco. Mas qual a desculpa para nós, adultos? A mesma cena se repete em trens, metrôs, ônibus, aviões, salas de espera e espaços públicos em geral: estamos grudados em nossa tela, equipados com fones de ouvidos, distantes. Na maioria das vezes, não percebemos o que está acontecendo ao redor. Em 2013, em São Francisco, teve um caso que ganhou repercussão nos jornais e levantou a discussão sobre os perigos da nossa falta de atenção. Um rapaz entra em um vagão do metrô e começa a brincar com uma arma. As câmeras de segurança mostram que ele até chegou a coçar o nariz com a arma. As pessoas que estavam no mesmo vagão só notaram a presença do homem armado quando ele atirou em outro passageiro. Essa e outras histórias levaram Nicholas Epley, pesquisador de comportamento social da Universidade de Chicago, a estudar os motivos do nosso isolamento em lugares públicos. “Na maioria dos casos, preferimos não socializar com indivíduos ao nosso redor por comodismo. Achamos que sentar sozinhos, sem falar com quem está ao lado, vai ser mais agradável que iniciar uma conversa.” A pesquisa de Nicholas não é a primeira a descobrir que interações com estranhos influencia nosso humor. Em 2012, outro estudo mostrou que sorrir e acenar para desconhecidos na rua faz com que as pessoas se sintam mais conectadas.

Nossos dispositivos oferecem uma contínua e infinita rede de informações, que exige menos trabalho do que interagir pessoalmente com amigos e pessoas próximas.“Nós não paramos de conversar, mas evitamos conversas que requerem atenção e dedicação. Sempre que você escolhe checar o seu smartphone em vez de estar atento às pessoas ao seu redor e ao que elas estão dizendo, você ganha uma dose de estímulo, isso é como um choque neuroquímico que te deixa bem por alguns segundos. Em consequência, você perde o que um amigo, pai, amante ou colega de trabalho disse e sentiu.” Apesar da seriedade do momento, Sherry escreve com otimismo e nos lembra que ainda há tempo de mudar. “Uma vez cientes, podemos começar a reatar nossas práticas. Esse é o grande desafio de nosso tempo: reconhecer as consequências imprevistas da tecnologia. Temos tempo para fazer as correções, para lembrar quem somos e o que realmente importa. Afinal, tecnologia ainda não nos oferece educação sentimental.”

*A FFWMAG é uma publicação semestral e a edição de número 42 com 4 capas especiais já está à venda nas principais bancas do Brasil, na rede da Livraria Cultura e loja online (www.livrariacultura.com.br)

Assista ao primeiro teaser de “Blade Runner 2049”

A Sony Pictures acabou de liberar o primeiro vídeo de “Blade Runner 2049”, com Ryan Gosling e Harrison Ford reprisando seu icônico papel.

Dirigido por Denis Villeneuve, de “A Chegada”, e com produção de Ridley Scott, a sequência do clássico de 1982 estreia no Brasil em 5 de outubro de 2017.

O plot continua um mistério, mas o visual parece fantástico. Assista ao teaser acima. [Carlos Merigo]

Helena Bordon dá dicas de viagem em Jaipur, na Índia

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Helena Bordon (Foto: Candice Lake/Divulgação)
A Jimmy Choo levou sete influencers para Agra e Jaipur para fotografar o resort 2017 da grife, que vem inspirado na Índia. A fotógrafa Candice Lake, ex-modelo e colaboradora da Vogue Austrália, foi responsável pelos cliques.

Entre as convidadas, nomes como Aimee Song, Gala Gonzalez e a brasileira Helena Bordon, que conta aqui algumas dicas de quem pretende viajar para Jaipur nestas férias:

Onde ficar: hospedamos-nos no Hotel Oberoi, um lugar incrível. No meio do prédio há um templo e um lago onde acontecem cerimônias religiosas, e a energia é impressionante. Nunca tinha visto nada igual, e os shows de dançarinas com cobras são obrigatórios.

Passeio imperdível: amei o Palácio da Cidade, que é todo rosa, onde fotografamos para Jimmy Choo. Apesar de ser um choque cultural grande estar ali – há animais na rua, e os hábitos dos indianos são muito diferentes – é tudo tão colorido e cheio de energia que te traz um sentimento todo especial.

Onde comer: meu jantar preferido foi o que tivemos no Dera Amer, uma reserva de elefantes surpreendentemente próxima à cidade. Dá pra ter uma elephant ride (passeio de elefante), foi uma experiência única!

Após 113 anos, Met Opera encena obra de uma mulher; veja repercussão

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Kaija Saariaho, compositora da ópera “L’Amour de Loin”

WILLIAM ROBIN
DO “THE NEW YORK TIMES”

Neste mês, a Metropolitan Opera de Nova York vai encenar “L’Amour de Loin”, de Kaija Saarhajo, a primeira ópera composta por uma mulher que a companhia encena desde 1903.

O “New York Times” pediu a dez compositoras que refletissem sobre essa notável disparidade, e sobre o que significa ser uma mulher criadora de óperas hoje. Abaixo, trechos dessas entrevistas.

Jennifer Higdon (“Cold Mountain”, 2015)
Fico feliz por eles enfim terem decidido fazê-lo. Cento e treze anos. É meio espantoso pensar nisso. Se eles forem além de uma ópera composta por uma mulher e chegarem a uma segunda e terceira, creio que as pessoas poderão sentir mais esperança. Mas para aqueles que compõem óperas, é preciso continuar trabalhando. Você precisa continuar encontrando maneiras de levar a arte ao público de toda maneira que puder, você precisa continuar fazendo o melhor que puder. Não é fácil ganhar a vida com a arte, mas é possível.

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Kamala Sankaram (“Miranda” , 2012; “Enchantress”, 2014; “Thumbprint”, 2014; “Looking at You”, 2016)
Pequenas coisas me deram a entender que eu talvez estivesse sendo tratada de modo diferente porque sou mulher. Um pianista que tocava o acompanhamento em uma audição perguntou a que horas o compositor chegaria, e quando eu disse que era a compositora, respondeu que “ah, essa música é muito fofa”. Uma resenha classificou uma composição minha como “suave”. Há coisinhas que nos levam a refletir se a linguagem empregada é afetada por questões de gênero, mas não estou falando de nada escancarado, do tipo “essa pessoa não está qualificada porque é mulher”. Mas o fenômeno tem dois lados. Um deles é: as pessoas estão tratando você de modo diferente porque você é mulher? E o outro lado é: o seu acesso é diferente porque você é mulher? E sim, isso é completamente verdade. Quando todas as pessoas que ocupam postos administrativos nas companhias de ópera são homens, é simplesmente a natureza humana se manifestando. Tendemos a pensar em pessoas semelhantes a nós quando estamos selecionando alguém para preencher uma vaga aberta.

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Olga Neuwirth (“Bahlamms Fest”, 1998; “Lost Highway”, 2003; “American Lulu”, 2011; “The Outcast”, 2011; atualmente trabalhando em “Orlando”)
Vivemos no mundo da música clássica, que continua a ser branco, masculino e patriarcal –em outras palavras, ainda está enraizado em um sistema hegemônico. Já me chamaram muitas vezes de “fedelha atrevida”. Esse tipo de termo é aplicado a alguém que não tem direito ao poder. Mas alguém chama um homem jovem de “atrevido” da mesma maneira? Em lugar disso, ele é definido como “um sujeito de garra”, e “garra”, no contexto, quer dizer que ele merece respeito e atenção. Alguns produtores de ópera orgulhosamente proclamam que “agora temos um festival só para compositoras de ópera” ou “vamos nos concentrar exclusivamente em mulheres como regentes”; no entanto, se a sua atitude interna for a de que “bem, já fizemos nossa parte e podemos continuar como antes”, nada muda. Em última análise, o que isso significa –e o mesmo se aplica a todas as minorias que saíram em defesa de seus direitos– é que as pessoas diferentes deveriam se unir, com mais abertura, compreensão e gentileza, e não com arrogância, e que formas opostas e diferentes de vida e de expressão podem interagir sem que alguém fique o tempo todo chamando a atenção para o fato.

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Missy Mazzoli (“Songs from the Uproar”, 2012; “Breaking the Waves”, 2015)
As mulheres foram encorajadas a não fazer parte desse campo de um milhão de maneiras sutis, e também de algumas maneiras muito óbvias. Quando as pessoas me perguntam sobre ser uma mulher compositora de ópera, a coisa que sempre tento dizer é que é uma atividade sem história, na verdade. A história das mulheres compositoras de óperas começou, sei lá, cinco anos atrás. Sim, existem exceções –temos Ethel Smyth, temos Hildegard, temos mulheres que compuseram óperas, nos últimos 500 anos –mas são tão poucos exemplos, e tão isolados, que é possível contá-los nos dedos de uma mão. Isso posto, existe uma responsabilidade que vem sendo ignorada, quanto a isso, que é a de procurar por essas mulheres. E, mais importante, dar oportunidades a essas mulheres com base em seu potencial, e não em sua experiência. O que vejo muito é que os homens recebem oportunidades com base em seu potencial, Muitos homens jovens recebem sua primeira oportunidade de produzir uma ópera antes que tenham escrito um conjunto considerável de peças para voz. E no caso das mulheres, as pessoas sempre querem ver provas. Querem ver que você já fez alguma coisa antes de lhe oferecerem uma oportunidade. É uma situação claramente impossível. Se você é uma mulher jovem, tem um impulso dramático e sente atração por essa forma de arte, mas ninguém vai lhe dar sua primeira grande oportunidade, se torna impossível conquistar espaço nesse mundo.16354110

A soprano Susanna Phillips em cena da ópera “L’Amour de Loin”, composta por Kaija Saariaho

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Tania León (“Scourge of Hyachints” (1999); trabalhando agora em “Little Rock Nine”)
A cor não pode ser barreira. O sexo não pode ser barreira. Qualquer forma de orientação não pode ser barreira. Somos a raça humana. O que está acontecendo conosco? O que há de errado? Temos de mudar esse panorama, e a única maneira de fazê-lo é realmente fazê-lo. Não procurar o álibi de que não há dinheiro, de que sempre é preciso buscar alguma coisa que tenha comprovadamente funcionado no passado. De outra forma, não existe risco, e se não corrermos riscos, se não apostarmos no desconhecido, não saberemos o quanto estamos ou não estamos avançando.

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Bora Yoon (“Sunken Cathedral”, 2015)
Por que as mulheres compositoras continuam desaparecendo da mente das pessoas? Compor é provavelmente uma das coisas mais inatamente femininas que se pode fazer. É criar; é criação. E sempre me pareceu estranho que ficasse relegado a um campo muito dominado pelos homens. As mulheres percebem melhor as nuanças, igualmente, e compreender a complexidade de conflitos e o emaranhado daquilo que torna a ópera realmente grande está na verdade nesses relacionamentos emaranhados: dinâmicas externas mas também internas. As mulheres são mais expressivas ao expor esse tipo de coisa –na canção, mesmo no timbre, nos instrumentos, e na concepção visual também. As mulheres são muito holísticas quanto a essas coisas.

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Anna Clyne (atualmente trabalhando em sua primeira ópera, “Eva”)
Eu não penso muito em questões de gênero, na verdade. Vejo-me como compositora mais do que como mulher compositora. Mas sinto-me muito afortunada porque estou em uma situação na qual as bases já foram estabelecidas pelas gerações precedentes. O tema da ópera é Eva Hesse, uma artista em Nova York nos anos 1960. Ser artista e mulher naquela época era um verdadeiro desafio, e é natural que isso seja parte da narrativa da ópera. Acabei de ler os diários dela dois dias atrás, e eles definitivamente oferecem um vislumbre de suas experiências como mulher artista. Uma coisa que ela disse e ainda ressoa hoje é que a maneira de derrotar a discriminação na arte é com a arte, e que a excelência não tem sexo. Quando li isso, concordei imediatamente. Não é sempre fácil, mas ocasionalmente basta fazer o trabalho e isso dirá muito.

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Unsuk Chin (“Alice in Wonderland” (2007); atualmente trabalhando em “Alice Through the Looking Glass”
O mundo da ópera é quase por definição conservador. Porque as companhias de ópera são instituições complexas, há pressões comerciais fortes, hábitos enraizados, excesso de repertório, astros e estrelas, e expectativas estereotipadas. No entanto, para prosperar no século 21, e fazer justiça ao repertório maravilhosamente diverso disponível, é preciso haver mais experimentação e diversidade no mundo operístico, de modo geral. Embora eu pertença a uma minoria em minha profissão (algumas pessoas ainda parecem pensar que música clássica é algo composto por homens europeus mortos), não parei para pensar muito nos preconceitos, nos 30 anos em que estou no ramo, porque isso sufocaria minhas composições. Só tentei fazer meu trabalho o melhor que podia, e não pensar sobre o que outras pessoas podem acreditar, porque isso é algo que eu não teria como mudar, de qualquer maneira.

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Meredith Monk (“Atlas”, 1991)
O mundo clássico é muito difícil para as mulheres. Simplesmente não somos levadas tão a sério quanto os homens. Há certos procedimentos na tradição europeia ocidental que são muito respeitados, e minha música oferece outras maneiras de fazer as coisas, igualmente ricas e fortes, mas com um conjunto diferente de procedimentos. Eu sei que ocasionalmente a música não foi levada tão a sério quanto poderia, porque sua meticulosidade e complexidade não são aparentes. Certa vez eu estava trabalhando com um coral, entreguei minhas partituras aos cantores e eles disseram que nem precisavam de instruções, podiam cantar direto, era uma partitura simples. Eu disse que cantassem, então, e quanto mais eles tentavam, mais percebiam o quanto era difícil. A superfície parece muito simples, mas na realidade é muito complexa e intrincada.

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Lisa Bielawa (“Ideas of Good and Evil”, 1996; “Phrenic Crush”, 1997; “Hildegurls”, 1998; “Spooky Action at a Distance”, 2000; “Chance Encounter”, 2007; e “Vireo”, uma ópera concebida para televisão que está em produção no momento)
O mais importante é cuidar de você mesma. O que me interessa é a alegria, comunidades musicais prósperas, criar trabalhos vitais tanto para mulheres quanto para homens. Para que isso funcionasse, tive de encontrar maneiras de não contar a mim mesma aquelas histórias de bater constantemente em portas que não se abrem. As mulheres leitoras sempre conseguiram se identificar com os fortes personagens masculinos das histórias que leem, porque esses protagonistas são criados para representar a condição humana. Os papéis femininos na ópera deveriam ser capazes de inspirar a mesma identificação. A pessoa que assiste a “Vireo” deveria sentir aquela fisgada: isso trata da condição humana. Isso cura a minha ferida humana básica. É isso que queremos em uma ópera, certo? Não queremos contar uma história feminina historicamente específica. O lado tópico dela não é realmente a parte mais atraente; não é a parte operística.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Apple recorre de cobrança de US$ 14 bilhões em impostos na Europa

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A Apple recorreu da decisão da União Europeia (UE) de cobrar um recorde de US$ 14 bilhões da companhia, alegando que os reguladores europeus teriam ignorado especialistas em tributação e leis empresariais ao deliberadamente escolherem um método para maximizar a arrecadação, disseram executivos.

A postura combativa da Apple surge após a Comissão Europeia determinar em 30 de agosto que o acordo fiscal da empresa na Irlanda, onde fica sua sede europeia, é ilegal, ordenando o reembolso de até 13 bilhões de euros (13,8 bilhões de dólares).

A comissária de concorrência da UE e ex-ministra de Economia da Dinamarca, Margrethe Vestager, disse que o cálculo tributário para Apple na Irlanda implicava em uma taxa de 0,005% em 2014.

A gigante norte-americana de tecnologia planeja apresentar recurso contra a decisão da Comissão Europeia ainda nesta semana, disse à agência de notícias Reuters o diretor financeiro, Luca Maestri, em entrevista na sede global da empresa, em Cupertino.

Segundo ele, a fabricante do iPhone e do iPad teria sido alvo da ação por causa de seu sucesso. “Apple não é exceção em nenhum sentido pertinente à lei. A Apple é um alvo conveniente porque gera muitas manchetes. Ela permite à comissária se tornar a dinamarquesa do ano para 2016”, afirmou o executivo.

A Apple argumentará na Justiça que a Comissão Europeia não foi zelosa na investigação porque desconsiderou especialistas em tributação trazidos por autoridades irlandeses.

A Comissão Europeia acusou a Irlanda em 2014 de se esquivar de legislação tributária internacional ao permitir que a Apple protegesse lucro de dezenas de bilhões de dólares em troca por manter empregos no país. Apple e Irlanda negam a acusação.

A exigência da comissão também desagradou o governo norte-americano, que acusou a UE de abocanhar a receita destinada aos cofres dos Estados Unidos.

O governo irlandês também está apelando da decisão da UE sob a justificativa de que deve proteger seu regime fiscal, responsável por atrair muitas multinacionais ao país. [Reuters]

Sede da Apple com formato de disco voador aparece em novo vídeo

São Paulo – A nova sede da Apple está perto de ser concluída e um novo vídeo mostra o quanto a construção já está avançada. Gravado com um drone, o vídeo publicado no YouTube mostra imagens do avançado do projeto nos últimos seis meses.

A estrutura da Campus 2, como é chamada, tem formato de disco voador e painéis solares no telhado para captar energia reserva para o prédio.

Mais de 7 mil árvores serão plantadas nas dependências da sede high-tech da Apple e a companhia vai oferecer mais de mil bicicletas para que os 13 mil funcionários se locomovam pela área, que tem 2.8 milhões de metros quadrados.

O valor da construção do Campus 2 não é ainda certo, mas está em torno de 5 bilhões de dólares. A obra está prevista para acabar em 2017.

Veja o vídeo da construção da Campus 2, gravado pelo youtuber Matthew Roberts, com o uso de um drone DJI Phantom 3. [Lucas Agrela]