Uso de inteligência artificial pode aumentar desemprego no Brasil, diz FGV

Feita em parceria com a Microsoft, pesquisa aponta que ocupação pode cair até 4 pontos porcentuais em 15 anos; empregos pouco qualificados seriam prejudicados, mas tecnologia aumentaria renda média do brasileiro
Por Bruno Romani – O Estado de S. Paulo

Pesquisa da FGV com a Microsoft revela a influência da inteligência artificial no trabalho

Responsável por reduzir burocracias, automatizar processos e aumentar a eficiência, o uso de inteligência artificial (IA) pode aumentar o desemprego no País em quase 4 pontos porcentuais nos próximos 15 anos. Os dados são de um estudo desenvolvido pelo professor Felipe Serigatti, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a Microsoft, e foram apresentados nesta sexta-feira, 17. 

Para simular o impacto da adoção de IA na economia brasileira, a pesquisa estipulou três cenários: um conservador, no qual a taxa de crescimento da adoção de IA pelo mercado brasileiro é de 5%, durante 15 anos. Nesse panorama, a economia também cresce menos do que o estimado para os próximos anos. No cenário intermediário, o número é de 10%, com crescimento estável. Já no mais agressivo, em um mundo em que a economia tem projeção otimista de crescimento, a adoção de IA subiria 26% no período  – é nesse último que o desemprego pode aumentar em 3,87 pontos porcentuais, no saldo geral da população. 

No mais severo dos cenários, os mais afetados serão os trabalhadores menos qualificados, que poderão ver o desemprego aumentar em 5,14 pontos porcentuais; já o número de vagas qualificadas pode subir com a adoção massiva de inteligência artificial, em até 1,56 ponto percentual. “A inteligência artificial aumentará a desigualdade”, alertou Serigatti, que é professor de Economia da FGV. 

A pesquisa analisou seis segmentos diferentes da economia: agricultura, pecuária, óleo e gás, mineração e extração, transporte e comércio e setor público (educação, saúde, defesa e administração pública). Os trabalhadores mais afetados no cenário mais agressivo são os mais qualificados dos setores de óleo e gás e de agricultura, dois dos principais pilares da economia brasileira. O primeiro tem redução nos empregos de 23,57%, e o segundo, de 21,55%. “Esse impacto é diferente entre jovens e adultos, mas ainda precisamos de mais dados”, disse Serigatti. 

Na pesquisa, foram considerados apenas cenários em que varia o uso de inteligência artificial – foram desconsideradas possíveis influências de reformas como a previdenciária ou a tributária,  bem como mudanças no padrão de crescimento da economia.O pesquisador também falou que os resultados são heterogêneos entre os setores – na agricultura, por exemplo, há segmentos muito diferentes entre si. 

Aumento de renda

Por outro lado, a implementação da tecnologia promete aumentar a renda tanto dos trabalhadores menos quanto dos mais qualificados, em todos os cenários.  No cenário mais agressivo, os menos qualificados terão aumento de 7% na renda, enquanto os mais qualificados verão esse número em 14,72%. No mercado geral, o aumento de renda será de 9,26%

A pesquisa também detectou nos três cenários o aumento do bem estar da população, o que segundo Serigatti é definido como acesso de bens de consumo e serviços: 0,9% no cenário mais brando e 9,6% no mais agressivo. 

O aumento do PIB também é registrado nos três cenários: 0,64% (brando), 1,32% (intermediário) e 6,43% (agressivo). “Com o crescimento do PIB, isso faz a sociedade gerar um volume maior de renda e a aumentar a produtividade, o que fará até com que os indivíduos afetados negativamente tenham maior acesso a bens e serviços”, diz Serigatti. 

Educação

O anúncio da pesquisa foi realizado dentro de uma palestra sobre educação da Microsoft – empresa que tem longa relação com o governo brasileiro e trabalha no setor de educação. Em fevereiro, ao visitar o País, o presidente executivo da empresa Satya Nadella lançou uma série de cursos gratuitos de capacitação em IA , em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Serviço Nacional da Indústria (Senai). 

“A educação é mais importante do que nunca para o futuro do Brasil e pagará dividendos em 20, 30, 40 anos. Eu disse isso a ministros da educação anteriores”, disse Anthony Salcito, vice-presidente da divisão de educação da Microsoft, durante a apresentação. Questionado pelo Estado sobre o momento do Ministério da Educação, ele repassou a palavra para Vera Cabral, diretora de educação da empresa no País. “É difícil falar sobre governos, mas a gente gostaria de ter um ministro da educação que realmente desse prioridade para a educação”, declarou a executiva. 

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‘Quebrar’ o Facebook seria solução em último caso, diz comissária da UE Margrethe Vestager

Rede social é apontada como uma opção para limitar o poder da companhia; comissária alegou desgaste judicial como motivo para evitar o pedido de desmembramento
Por Agências – Reuters

Margrethe Vestager acredita que desmembramento do Facebook tomaria muitos anos na Justiça 

A comissária da União Europeia Margrethe Vestager disse nesta sexta-feira, 17, que “quebrar” o Facebook seria uma solução de último recurso. A maior rede social do mundo, que também é dona de dois gigantes aplicativos de mensagem – WhatsApp e Messenger – e do Instagram tem sofrido pressão sobre sua responsabilidade nos uso de dados e na influência de milhares de usuários no mundo.

A comissária foi questionada sobre o assunto durante evento de tecnologia em Paris, depois que políticos dos Estados Unidos e Chris Hughes co-fundador do Facebook ter recentemente se declarado a favor do desmembramento.  

Vestager, conhecida pela posição forte contrária a empresas de internet em diversos processos, disse que obrigar o Facebook desmembrar provavelmente geraria longos processos judiciais.

“[Desmembrar] seria um remédio de último recurso. Acho que isso nos manteria em tribunal por talvez uma década. É muito mais direto e talvez muito mais poderoso dizer que precisamos de acesso aos dados”, disse Vestager.

Minecraft Earth é o game de realidade aumentada da série da Mojang

Anunciado nesta sexta-feira, meta do jogo é fazer jogadores usarem blocos e interagirem no mundo real, com ajuda de seus celulares; lançamento oficial ainda não está previsto

Jogar Minecraft no mundo real, interagindo com blocos virtuais pela tela do celular: essa é a ideia por trás de Minecraft Earth, novo game de realidade aumentada da série da Mojang, estúdio que criou o jogo em 2009 e hoje é de propriedade da Microsoft. Anunciado nesta sexta-feira, 17, Minecraft Earth terá seus primeiros testes realizados no segundo semestre deste ano; o lançamento oficial, porém, ainda não tem data para acontecer. 

Minecraft Earth estará disponível gratuitamente para iPhone e Android, promete a Microsoft – já a forma de monetização do jogo não foi definida. Uma vez que o game será gratuito, é bastante possível esperar que a empresa fature vendendo itens dentro do jogo, com microtransações. O anúncio acontece na semana em que Minecraft está completando 10 anos de existência no mercado – e para a Microsoft, o jogo promete quebrar barreiras. 

“Minecraft Earth promete quebrar um dogma da computação: a ideia de que uma pessoa usa um único dispositivo para criar uma única experiência”, disse o engenheiro brasileiro Alex Kipman, participante do projeto, ao site americano The Verge. “Com Minecraft Earth, o conteúdo está no mundo real.” Isso significa que os jogadores poderão interagir para, juntos, usarem blocos para fazer prédios virtuais ao lado de edifícios reais, por exemplo. Outra possibilidade é um jogador “roubar” os blocos de outro que está perto de si – mas os dois estarão próximos no mundo real, o que trará uma dinâmica “divertida” à ética do jogo. 

De acordo com o time da Microsoft, o jogo usa a realidade para basear suas locações: lagos e rios, por exemplo, serão lugares onde os jogadores poderão pescar dentro de Minecraft Earth. Em parques, haverá árvores, que podem ser usadas como recursos para construção – da mesma forma como no jogo. 

No entanto, é um desafio para a Microsoft saber como isso será processado com milhares ou milhões de jogadores curtindo o jogo juntos. Vale lembrar que, há três anos, Pokémon Go provocou balbúrdia em grandes cidades com uma dinâmica parecida – ao The Verge, a Microsoft disse que terá sistemas para evitar que o jogo virtual cause estragos no mundo real, invadindo museus ou propriedades privadas, por exemplo. 

Estilista Flavia Aranha destaca-se com roupas em tingimento natural e técnicas sustentáveis

Uma decepção com a indústria da moda levou a estilista paulista Flavia Aranha a descobrir o que a tornaria um dos talentos de sua geração: técnicas naturais e sustentáveis que conquistam clientes no Brasil e no exterior
ADRIANA FERREIRA SILVA

Flavia Aranha em seu ateliê, em São Paulo (Foto: Helena Wolfenson)

Um aroma amadeirado se espalha pelo ensolarado galpão onde funciona o ateliê da grife Flavia Aranha, na zona oeste de São Paulo. “É cheiro de pau-brasil e crajiru”, diz a estilista, abrindo as panelas dentro das quais fervem os tecidos de algodão orgânico que vão ganhar as cores das duas plantas que perfumam o ambiente. Em alguns deles, o método fica impregnado, como no macacão com aplicação de fragmentos de araucária. Essas características tornaram Flavia, de 35 anos, uma estilista cobiçada aqui e no exterior. Suas peças amplas e delicadas caíram no gosto das francesas, por exemplo, que frequentam sua única loja, na Vila Madalena, ou na recente filial em Lisboa, dentro da multimarcas Casa Pau Brasil – um segundo ponto será inaugurado em Cascais, também em Portugal.

Esse modus operandi conectado com o cenário do slow fashion e da sustentabilidade – e aprovado pelo Sistema B, movimento global que certifica empresas que criam produtos e serviços voltados a resolver questões socioambientais – surgiu de uma insatisfação com a indústria da moda. Nascida em Campinas, no interior paulista, Flavia é apaixonada por costura, hábito que herdou das avós. “Aos 12 anos, entrei num curso de corte e costura”, diz ela, que aos 17, após uma temporada na prestigiada Central St. Martins, em Londres, se mudou para a capital paulista para estudar moda. Trabalhou com Karlla Girotto antes de cair nas graças de Adriana Bozon, da Ellus, onde ascendeu rapidamente e descobriu o tino para o empreendedorismo.

Na marca, foi convocada a fazer uma viagem de 40 dias pela China e Índia, onde se deparou com o lado macabro da indústria. “Vi de tudo, desde crianças trabalhando a mulheres bordando no chão de terra batida, perto do esgoto. Voltei chocada”, descreve. Foi nessa mesma aventura, porém, que ela encontrou o que viria a se tornar sua marca registrada: o tingimento natural. Na volta, Flavia pediu demissão e passou a criar peças diáfanas e fluídas, coloridas em chás de camomila, capim-limão, carqueja, que vendia em sua primeira loja, numa vila no mesmo quarteirão onde está hoje sua boutique. Desde então, a estilista viaja pelo país para descobrir novas técnicas, que agora também se tornarão tema de intercâmbios em seu recém-lançado Instituto Teia. “O Brasil não investe em sua mão de obra, que é muito potente, criativa e ligada à nova diversidade”, acredita. No que depender de Flavia, esse cenário será outro muito em breve.

BELEZA ANDERSON AYRES (CAPA MGT) COM PRODUTOS NARS E L’ORÉAL  PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN

Melhor que filme do Queen, longa sobre Elton John não esconde sexo ou drogas

Obra é comercial, mas faz retrato honesto do artista
Guilherme Genestreti

Taron Egerton na pele de Elton John em ‘Rocketman’ – David Appleby/Divulgação

CANNES (FRANÇA) – “Rocketman”, cinebiografia sobre Elton John, é tudo o que o anódino “Bohemian Rhapsody” não consegue ser. Embora seja uma obra igualmente comercial, assim como o filme do Queen, faz um retrato honesto e não esconde reluzentes carreiras de cocaína, cenas tórridas de sexo gay ou os fracassos do biografado da vez. O longa fez sua estreia mundial no Festival de Cannes e entra em cartaz no Brasil no próximo dia 30.

Uma de suas sacadas é o fato de ser um musical, isto é, repleto de números cantados pelos atores e com função narrativa, em vez de simplesmente reproduzir cenas de shows. O registro também é completamente diferente, mais fantástico e menos realista do que a história sobre Freddie Mercury.

Não dava mesmo para esperar outra coisa da biografia de uma pessoa tão extravagante como Elton John. O diretor Dexter Fletcher usa as canções do músico para acompanhar cenas de orgias psicodélicas e apresentações em que os espectadores voam em êxtase.

A história acompanha a trajetória do garoto gordinho e com problemas de autoestima que é um ás no piano. A rebeldia recalcada, fruto de ter vindo de uma família desestruturada, o levaria para o rock e para a bem-sucedida parceria com Bernie Taupin, seu letrista.

Tudo é contado a partir da perspectiva do músico já mais velho e que vai procurar ajuda num grupo de ajuda mútua para superar todos os vícios (bebida, droga, remédio, sexo). A primeira cena o traz montadíssimo e com um enorme par de asas vermelhas contando os problemas numa roda.

Daí se seguem relatos do pai durão e da mãe distante, shows concorridos, festas na piscina e muita bebedeira. Tudo é costurado por números dos muitos hits do músico: “Your Song”, “Goodbye Yellow Brick Road”, “Bennie and the Jets”, “Rocket Man”, “Daniel”… Na maior parte das vezes, as letras caem como uma luva na história que se conta; noutras, nem tanto.

Em conversa com a imprensa após a exibição, a equipe do filme não se safou de comparações com “Bohemian Rhapsody”. Fletcher, aliás, foi quem assumiu a direção do longa sobre o Queen após a conturbada demissão de Bryan Singer e evitou comentar o assunto. “Vamos falar sobre ‘Rocketman’, pessoal?”, pediu.

“Os dois filmes são lances totalmente diferentes”, afirmou Taron Egerton, inglês de 29 anos que assumiu o papel de Elton John. “O nosso é um musical, e não uma cinebiografia tradicional. Adotamos licenças poéticas, as canções não são cronológicas.”

Outra das grandes diferenças é o retrato da sexualidade do biografado. Se o filme sobre Freddie Mercury escondia as aventuras homossexuais do cantor, “Rocketman” se permite um pouco menos de pudor e exibe Egerton em amassos com Richard Madden, que faz o papel do seu empresário cafajeste.

Ainda assim, Fletcher foi forçado a cortar 40 segundos das cenas de sexo, segundo a imprensa britânica, mas o diretor não comentou o assunto.

O jornalista se hospeda a convite do Festival de Cannes

Kanye West pode colaborar com ‘Rick and Morty’ em nova temporada

Criadores da série ofereceram um episódio para o rapper, que é fã declarado da produção

Kanye West é fã declarado da série ‘Rick and Morty

Kanye West pode ter a chance de trabalhar em um episódio de Rick and Morty. Aliás, o rapper é fã declarado da série e ficou bem feliz quando soube que haveriam 70 novos episódios. Esta semana, foi anunciado o mês de estreia da quarta temporada.

Durante o evento WarnerMedia, na quarta-feira, 15, em que anunciaram a nova fase da série, os criadores Dan Harmon e Justin Roiland foram questionados sobre Kanye West e se eles poderiam trabalhar com o rapper em algum momento.

“Kanye é um grande parente de espírito, um gênio, um visionário”, disse Roiland. “Se esse cara tivesse o apoio para executar todas as ideias que ele tem na cabeça, ele seria um Elon Musk 2.0”, completou.

“Estou dando a ele um episódio”, disse Harmon. “Estou oficializando isso. Temos 70 episódios, ele pode ter um. Kanye, você pode ter um.”

Em 2018, quando soube que Rick and Morty ganharia mais 70 episódios, West comemorou no Twitter. “Essa é a melhor notícia. Esse é meu show preferido. Eu vi cada episódio pelo menos cinco vezes”, disse o rapper.

O Escolhido | Nova série brasileira da Netflix ganha teaser

Carolina Munhóz e Raphael Draccon escreveram a atração
CAMILA SOUSA

A Netflix o primeiro teaser de O Escolhido, sua nova série original escrita por Carolina Munhóz e Raphael Draccon. O vídeo também confirma a data de estreia para 28 de junho.

Na trama de O Escolhido, três jovens médicos são enviados a um vilarejo remoto no Pantanal para vacinar seus moradores contra uma nova mutação do vírus Zika. Mas os esforços médicos são recusados e eles percebem que a comunidade é devota de um líder enigmático, que diz curar doenças sem usar medicina. Com essa temática, a ideia da série é criar um embate entre fé e ciência. Ao todo serão seis episódios.

Estão no elenco nomes como Paloma BernardiGutto SzusterPedro CaetanoAlli WillowTuna DwekMariano Mattos MartinsLourinelson Vladmir e Renan Tenca