Por que o algoritmo do Facebook pode ter ajudado Trump

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Mark Zuckerberg: “as notícias falsas não passam de 1% do total da rede” (Win McNamee/Getty Images)
Era para ser um mês de glória. No dia 10 de novembro, Mark Zuckerberg foi eleito pela revista Fortune a pessoa de negócios do ano – uma espécie de reconhecimento curiosamente rara para o líder de uma empresa que em 12 anos atingiu o valor de mercado de 350 bilhões de dólares, tem 16.000 funcionários e quase 1,8 bilhão de usuários no mundo todo.

Em vez da festa, porém, o que Zuckerberg recebeu foram críticas pesadas – não por sua eleição, mas pela do próximo presidente americano, Donald Trump, ocorrida dois dias antes. O Facebook foi apontado, por democratas frustrados e por críticos da mídia, como responsável pela vitória republicana. E agora sofre pressões para assumir-se como uma empresa de mídia e controlar a qualidade das notícias que circulam na rede.

Há certamente muitas razões para a derrota da candidata democrata, Hillary Clinton. No sábado passado, dia 12, ela culpou o diretor do FBI, James Comey, que em outubro mandou uma carta ao Congresso afirmando que a polícia federal americana iria investigar uma nova coleção de emails que Hillary enviou quando era secretária de Estado, possivelmente comprometendo a segurança nacional. Dois dias antes da votação, Comey mandou outra carta ao Congresso, dizendo que o FBI não iria processar Hillary – mas a essa altura, segundo ela, sua vantagem sobre Trump havia desvanecido.

O atual presidente, Barack Obama, sugeriu outro responsável pela derrota: a falta de energia de Hillary. Outro motivo para a vitória de Trump é que seus seguidores se mostraram mais entusiasmados para ir às urnas do que os eleitores de Hillary, talvez até porque as pesquisas davam a dianteira a ela. Nenhuma dessas razões, no entanto, chamou tanta atenção quanto culpar o Facebook. O argumento é que a rede social não fez nada para frear uma onda de notícias falsas que, nos últimos dias de campanha, teriam virado a balança em favor do candidato republicano.

O papa, o FBI e a campanha
Notícias falsas foram de fato uma tônica da campanha. Uma delas afirmava que um “agente do FBI suspeito no caso do vazamento de emails de Hillary foi encontrado morto em um aparente caso de assassinato seguido de suicídio”. A notícia era atribuída ao jornal Denver Guardian. O fato de o jornal sequer existir não impediu que o artigo fosse compartilhado 568.000 vezes, com mais de 15,5 milhões de visualizações.

Outra falsa notícia – de que o papa Francisco deu seu apoio a Trump – foi compartilhada quase 1 milhão de vezes, “provavelmente vista por dezenas de milhões de pessoas”, afirmou Zeynep Tufekci, professor da Universidade da Carolina do Norte que estuda o impacto social da tecnologia, em artigo para o The New York Times. Segundo ele, a notícia foi corrigida, mas a errata passou despercebida. “É claro que o Facebook teve uma influência significativa no resultado da eleição”, disse Tufekci.

Em entrevista no dia 10, Zuckerberg se defendeu das acusações. Disse que era “loucura” achar que as notícias falsas tenham ajudado a definir a eleição. Nos dias seguintes, como o assunto não esfriava, ele arrolou mais argumentos: primeiro, que “as notícias falsas não passam de 1% do total da rede”; em segundo lugar, que os simpatizantes de Hillary também recorreram ao mesmo método; em terceiro, que as pessoas não se deixam enganar tão facilmente.

Os argumentos não convenceram os críticos. A experiência da maioria das pessoas é de que as notícias falsas representam bem mais do que 1% do total. Além disso, para quantificar a taxa de notícias falsas seria necessário que o Facebook soubesse apontá-las.

Quanto a ter havido também calúnias do lado democrata, é verdade. Mas elas foram em menor número. Um estudo feito pelo site de notícias BuzzFeed News concluiu que os três maiores produtores de notícias de tendência esquerdista publicaram informações falsas em cerca de 20% dos posts, enquanto os três maiores da direita publicaram falsidades 38% das vezes.

Sobre as pessoas não se deixarem enganar, é difícil atestar. Mas vários usuários consideram o Facebook uma fonte de notícias. Segundo pesquisa do Centro de Pesquisas Pew, 44% dos americanos consomem pelo menos parte das notícias pela rede social. E, dada a inclinação do site a mostrar coisas parecidas com aquelas que as pessoas demonstraram gostar, a tendência é a formação de bolhas de percepção, que alimentam o radicalismo e limitam nossa capacidade de entender as diferenças.

Em um post no Facebook, no dia 13, Zuckerberg reconheceu que a empresa tinha que melhorar: “Nossa meta é mostrar às pessoas conteúdos que elas considerem valioso, e as pessoas querem notícias acuradas”, escreveu. “Nós já demos condições à nossa comunidade de denunciar trotes e falsas notícias, e podemos fazer mais.”

Ele rejeitou, porém, a ideia de fiscalizar as postagens. “Esta é uma área em que eu acredito que devemos proceder com muito cuidado. Identificar a “verdade” é complicado. Enquanto alguns trotes podem ser completamente desmascarados, uma quantidade maior de conteúdo, incluindo de fontes tradicionais, com frequência transmite a ideia geral corretamente mas erra em alguns detalhes. Um ainda maior volume de histórias expressa uma opinião da qual muita gente discorda e pode denunciar como incorreta mesmo quando seja factual.”

A invasão dos macedônios
A resistência de Zuckerberg é compreensível. O trabalho de editar notícias requer uma responsabilidade brutal. É em parte por causa disso que o Facebook faz questão de se definir como uma empresa de tecnologia que apenas publica notícias, produzidas por outros, e não uma empresa de mídia.

Muito mais tranquilo é definir-se como uma plataforma: um ambiente em que prestadores de serviços diversos se encontram com consumidores também diversos.

Não é apenas uma questão semântica. No caso do Uber, por exemplo, definir-se como plataforma implica que a empresa apenas trata de unir pessoas que querem transportar e pessoas que querem ser transportadas – e não faz sentido cobrar-lhe obrigações trabalhistas e fiscais como a uma companhia de táxis.

No caso do Facebook, que se transformou na maior fonte de notícias do mundo, definir-se como plataforma permite eximir-se da responsabilidade de curadoria tanto de veracidade como de qualidade das notícias.

O problema não é restrito ao Facebook. O Google e o Twitter também permitem a difusão de notícias falsas. Mas no Twitter, por exemplo, as pessoas primordialmente escolhem os produtores que querem ler. Pelo menos em tese sabem onde estão se metendo. No Facebook, um algoritmo pouco transparente define as notícias prioritárias na página de cada usuário.

O poder desse algoritmo aumentou nos últimos meses. Até maio, o Facebook tinha um time de 15 a 18 jornalistas independentes que era encarregado de editar a parte de trending news (as notícias mais interessantes) do site. Então uma reportagem do site Gizmodo acusou um viés de esquerda na escolha dos destaques. A empresa acabou demitindo o grupo e entregando a tarefa a um programa de computador.

Além disso, em junho a empresa mexeu no algoritmo, rebaixando o status de notícias originárias dos meios de comunicação e privilegiando os posts de amigos e parentes. A explicação é que as pessoas se interessam mais pelo seu círculo próximo – mas o efeito colateral pode ter sido uma exposição maior a notícias que não passaram pelo crivo jornalístico de preocupação com a veracidade e a acurácia.

Pode-se imaginar que um algoritmo seja mais neutro do que um grupo de seres humanos, com suas preferências e idiossincrasias. Mas, como escreveu Will Oremus, da revista Slate, a inteligência por trás do software é fundamentalmente humana. “Humanos decidem que dados serão considerados, o que fazer com eles e que resultado querem. Quando os algoritmos erram, a culpa é dos humanos.”

E o algoritmo do Facebook privilegia o engajamento. Seu objetivo principal é obter “curtidas” e compartilhamentos de posts. Isso cria o fabuloso mercado de atenção que o Facebook vende aos anunciantes.

O problema é que a atenção não tem moral. E na eleição americana (assim como no cenário brasileiro) ficou demonstrado que o radicalismo dá audiência. Segundo uma reportagem do BuzzFeed, nem foram os extremistas de direita que produziram a falsa notícia da morte de um agente do FBI ligado às investigações sobre os emails de Hillary. Foi um grupo de jovens da Macedônia.

Sua motivação era menos política que pecuniária. As dezenas de sites com notícias falsas lhes rendiam cliques e, embora cada clique valha muito pouco no mercado de anúncios digitais, a soma de milhões deles rende uma quantia considerável.

De acordo com o BuzzFeed, os jovens macedônios chegaram a experimentar conteúdo de esquerda, em especial pró Bernie Sanders, o pré-candidato democrata que Hillary derrotou. Mas eles logo descobriram que não rendia tanto quanto o material pró-Trump.

O editor mais poderoso do mundo?
O descontentamento com a postura do Facebook teve eco dentro da própria empresa. Em outubro, funcionários reclamaram do apoio público do empresário Peter Thiel, membro do conselho da companhia, a Trump, e Zuckerberg respondeu que o Facebook “preza profundamente a diversidade”.

Dezenas de empregados, segundo outra reportagem do BuzzFeed, montaram um grupo informal para propor soluções para as notícias falsas. “Loucura não é achar que o Facebook influenciou no resultado das eleições”, disse um dos empregados. “Loucura é Zuckerberg menosprezar a hipótese, quando todos na companhia sabemos que as notícias falsas correram livres na nossa plataforma durante toda a campanha eleitoral.”

É provavelmente um exagero dizer que a vitória de Trump se deva ao Facebook. Mas é ingênuo descartar a influência da empresa no mundo moderno. O próprio Facebook se orgulha dessa influência, quando expõe no meio publicitário sua capacidade de moldar ações e decisões de compra dos usuários.

Zuckerberg já afirmou que posts na rede encorajaram mais de 2 milhões de pessoas a se registrar para votar, e estimou que uma campanha no dia da votação convenceu “um número semelhante de pessoas a ir às urnas”.

Por que todo esse poder de convencimento, em se tratando das notícias falsas, se tornaria nulo? Esse raciocínio sustenta a pressão para que o Facebook assuma que é também uma empresa de mídia e promova mudanças em seus algoritmo e suas políticas de divulgação de notícias.

Algo nessa linha já aconteceu recentemente. Durante a campanha, Zuckerberg decidiu não remover os posts de Trump, apesar de vários deles terem violado as regras da companhia contra discursos de ódio. A justificativa foi que seus posts eram “uma parte importante da conversa sobre quem será o próximo presidente dos Estados Unidos”.

Em setembro, o Facebook também voltou atrás depois de ter censurado a foto de uma menina nua fugindo de um ataque de napalm, um símbolo da guerra do Vietnã. A foto, publicada pelo Aftenposten, um jornal norueguês, tinha sido retirada da rede por infringir as regras contra nudez. Em reação ao episódio, o editor chefe do jornal, Espen Egil Hansen, desafiou Zuckerberg a reconhecer seu papel como “o mais poderoso editor de notícias do mundo”.

Na quarta-feira 16, os Dicionários Oxford anunciaram o termo “pós-verdade” como a palavra do ano de 2016. Segundo a instituição “pós-verdade” é um adjetivo que “se relaciona com ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que apelos à emoção e à crença pessoal”.

Apesar de existir há mais de uma década, o termo teve um aumento de 2.000% em seu uso neste ano principalmente por causa do Brexit e da eleição de Donald Trump. Mais uma conquista pra lavra de Zuckerberg. [David Cohen]

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Kate Bush flutua no mar em clipe minimalista de “And Dream of Sheep”

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por Rolling Stone EUA
Kate Bush colocou em risco a própria saúde para gravar o vídeo minimalista de “And Dream of Sheep”, que integrará o futuro álbum triplo ao vivo Before the Dawn. O clipe da melancólica balada, que foi registrada originalmente no disco Hounds of Love (1985), mostra a britânica à deriva no mar, flutuando com o auxílio de um colete salva-vidas.

A fim de tornar mais realista o videoclipe, Kate gravou uma nova linha vocal dentro de um tanque d’água no Pinewood Studios, em Buckinghamshire, na Inglaterra.

“Ela ficou tanto tempo imersa na água durante o primeiro dia de filmagem que contraiu uma leve hipotermia”, disse a equipe da cantora em um comunicado no vídeo. “Ela se recuperou depois de um dia de descanso e em seguida continuou as gravações. Todos concordaram que isso deu maior autenticidade à performance.”

As imagens foram projetadas em uma tela suspensa durante os 22 shows que a cantora fez no Hammersmith Apollo, em 2014, marcando o retorno dela aos palcos depois de quase três décadas sem se apresentar ao vivo.

O disco triplo ao vivo Before the Dawn, que será lançado nesta sexta, 25, no Reino Unido, conterá os três atos das performances realizadas há dois anos: O primeiro incluirá sete faixas da carreira de Kate Bush; o segundo será formado, em parte, pela íntegra do álbum The Ninth Wave e também pela segunda metade de Hounds of Love; e o terceiro LP contará com A Sky of Honey, e a segunda metade de Aerial.

Assista abaixo ao clipe de “And Dream of Sheep”.

Anne Hathaway já vestiu a Dior de Maria Grazia Chiuri

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A primeira coleção de Maria Grazia Chiuri para Dior realmente caiu nas graças das celebridades. Emma Watson e Natalie Portman foram algumas das estrelas que já desfilaram as peças da label por aí. Agora, quem entra para o time é AnneHathaway que escolheu um look de passarela para o jantar do Guggenheim Internacional Gala.

Assim como no look 58 (abaixo) da passarela da grife, a atriz também chamou atenção por deixar o salto alto de lado e eleger um par de combat boots para um evento formal. O contraste privilegia o conforto e ainda deixa o visual muito mais fashionista. No entanto, a transparência foi evitada com a ajuda de uma regata de alças fininhas por baixo de tudo. [Lucas Guarnieri]dio_ss17_230.jpg

André Sturm será o próximo secretário de Cultura de São Paulo

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O diretor-executivo do MIS André Sturm no coquetel de abertura da exposição “David Zingg no Noticias Populares”, no Museu da Imagem e do Som (MIS) em São Paulo
O prefeito eleito de São Paulo, João Doria, vai anunciar na quinta-feira (24) o nome de André Sturm para comandar Secretaria Municipal de Cultura.
Atualmente André Sturm é diretor do MIS (Museu da Imagem e do Som) e do Cine Caixa Belas Artes.
O diretor do museu foi a segunda opção de Doria para a secretaria. O primeiro chamado para o posto, o empresário e ex-diretor da Globo Boni, recusou o convite.
Sturm passou pela coordenadoria de Fomento e Difusão da Produção Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de SP e assumiu a diretoria do MIS em 2011. Foi responsável por exposições que triplicaram o público do museu. Também esteve por trás da reabertura do Cine Belas Artes, em 2014, após ameaça de fechamento do espaço por falta de patrocínio.

Fundadores do Snapchat se mostram destemidos em corrida por IPO

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Por Agências – Reuters
A Snap, responsável pelo aplicativo de mensagens instantâneas Snapchat, é vista por muitos investidores de tecnologia como o próximo Facebook ou Google. Entretanto, seus jovens fundadores estão sendo mais agressivos que seus antecessores na transição de startup para empresa listada em bolsa de valores.

Em um momento em que a moda no Vale do Silício é continuar privada tanto quanto possível, a Snap está planejando uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), avaliando a empresa em mais de US$ 20 bilhões. A operação está sendo preparada apenas dois anos após a empresa ter começado a gerar receitas e apesar da companhia tenha muito capital e ampla oportunidade para levantar mais dinheiro em mercados particulares. Espera-se que seja a maior IPO de  empresa de tecnologia nos EUA desde a estreia do Facebook, em 2012.

A Snap também está desafiando as convenções ao não trazer uma “supervisão adulta” para ajudar o cofundador e presidente-executivo, Evan Spiegel, de 26 anos, e o cofundador e diretor de tecnologia, Bobby Murphy, de 28 anos, a administrar a companhia.

No entanto, alguns investidores mostram preocupação de que a combinação de uma equipe de administradores inexperientes com uma avaliação de mercado elevada possa ser problemática.

“É claramente uma equipe muito inexperiente, liderando uma empresa que está pedindo duas coisas: uma avaliação gigante e múltiplos agressivos”, disse o estrategista de mercado da 55 Capital, Max Wolff. “Uma vez que você começa a pedir aos investidores 30 vezes o valor de seus lucros, a tolerância para erros diminui.”

Alguns investidores disseram que o impulso de marketing e a visibilidade que a empresa vem conseguindo com o IPO são cruciais para que o Snapchat obtenha mais usuários fora dos Estados Unidos – e fora de sua base dominante de jovens usuários. O Snapchat disse que tem mais de 150 milhões de usuários ativos diariamente.

Um IPO dará à companhia uma imagem mais madura, que será atraente para os anunciantes, disseram investidores. A Snap anunciou aos investidores que espera que a receita com publicidade alcance a casa de US$ 1 bilhão em 2017, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto.

Vera Wang não participará da próxima NYFW

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Uma das estilistas mais requisitadas do mundo bridal, Vera Wang acaba de anunciar que irá pular a próxima edição da NYFW.
Ao invés de apresentar seu inverno 2017 com um desfile, ela revelará a coleção com um fashion film que será exibido online no dia 28.02, mesmo dia em que começa a semana de moda de Paris – coincidência planejada por Vera, que estará na capital francesa para receber a Ordem Nacional da Legião de Honra, condecoração honorífica francesa que será entregue à designer pelas mãos de Gérard Araud, embaixador da França nos EUA.

Apaixonada por Paris – “acho que o francês é minha língua-mãe”, diz Vera -, a estilista retribuirá a honra à capital francesa em seu inverno 2017, inspirando-se na cidade para criar a coleção e o vídeo. “As maiores questões são: devo deixar a geografia ser o foco da coleção? Devo baseá-la em Paris e sua história? Ou devo baseá-la na minha própria coleção, deixando-a apenas com um sotaque francês?”, reflete Wang ao WWD.

Enquanto Vera não confirma o nome do diretor, especula-se que Gordon von Steiner, que já colaborou com a estilista em coleções para noivas, seja o nome mais cotado. A ver!

Decoração de verão: inspire-se em uma casa à beira mar

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Ana Carolina Gayoso, vestindo Lenny Niemeyer, posa ao pé da escada de sua casa, em Búzios (Foto: Thiago Justo)

São 8h  de um sábado ensolarado, e Ana Carolina Gayoso nos recebe de pés descalços, com uma mesa de café  da manhã caprichada à beira de um gramado que se estende quase até o mar da Praia Rasa, em Búzios, onde duas canoas importadas do Havaí com remos de madeira chamam a atenção.
Entre uma garfada e outra nos mimos light preparados à la minute, ela levanta para se despedir do marido, o empresário Antonio Dias Leite, com quem é casada há oito anos, que está saindo para pedalar.No living, destaque para a mesa de centro e esculturas de madeira garimpadas em Trancoso   (Foto: Thiago Justo)No living, destaque para a mesa de centro e esculturas de madeira garimpadas em Trancoso (Foto: Thiago Justo)
O caso de amor de Carolina com o balneário que flechou Brigitte Bardotnos anos 60 começou na adolescência: a carioca é habituée de Búzios desde que a Praia Rasa – cuja extensão de quase 8 km é hoje tomada por casas vistosas – era deserta e só os descolados da época frequentavam o lugar. “Angra não é a minha cara. Prefiro Búzios, que é mais pé na areia.”
A infância da empresária sempre foi perto do mar – os avós tinham uma casa em Boa Viagem, no Recife, onde ela pegava onda com uma pranchinha de body-board de isopor. Foi também na Búzios da década de 80 que conheceu o primeiro marido e pai de seus dois filhos (Bianca, 28 anos, e João Pedro, 26), o esportista Pedro Paulo Guise Carneiro Lopes, o saudoso Pepê – que foi a cara do Rio e morreu em 1991, quando participava do mundial de voo livre no Japão.
Depois de uma viagem de Pepê ao país, onde foi campeão do mundo com sua asa-delta em 1981, surgiu a ideia de criar o restaurante Tatsumi, um dos primeiros especializados na gastronomia japonesa na Zona Sul carioca e desde 1990 nomeado Sushi Leblon.

Carolina Gayoso (Foto: Thiago Justo)Deque de madeira decorado com almofadas com prints florais da Ana, marca de Trancoso (Foto: Thiago Justo)

Além da Barraca do Pepê, um marco da alimentação saudável no Rio, aberta em 1981 e point na praia da Barra da Tijuca desde então, e do Sushi Leblon, Carolina também comanda ao lado das sócias Bia Stewart, sua irmã, e Marina Hirsch os restaurantes Zuka e Brigite’s, inaugurados, respectivamente, em 2002 e 2011.
Desde 2013, o time de mulheres ganhou mais uma integrante: a filha da empresária, Bianca, sucessora de Carolina no império gastronômico. “No início foi difícil. Tinha dias que queria conversar só com minha mãe, não com a chefe. Demorou para afinar essa relação, mas hoje dá supercerto”, conta Bianca.

Painel de madeira e escultura, ambos da Afranio, e banco rústico de madeira compõe o décor da varanda   (Foto: Thiago Justo)Painel de madeira e escultura, ambos da Afranio, e banco rústico de madeira compõe o décor da varanda (Foto: Thiago Justo)
No Rio dos anos 80, a Dias Ferreira – rua onde estão os três restôs de Carolina e hoje o endereço para ver e ser visto na cidade – abrigava de sapateiro a açougue. “Era uma rua de comércio tranquila”, lembra.
Dos restaurantes de lá daquela época, apenas o Celeiro, referência em comida saudável, permanece também no mesmo lugar. O prédio de esquina, onde fica o Sushi Leblon, era antes ocupado por um bar de um amigo de Pepê. Nada dava certo no ponto, mas Pepê pressentiu que ali seria o local mais badalado da cidade. A inauguração do negócio aconteceu no dia de seu aniversário, em 2 de setembro de 1986, só para amigos. O campeão morreu antes de ver a concretização plena da transformação do endereço.
Carolina Gayoso (Foto: Thiago Justo)Detalhe da estátua (Foto: Thiago Justo)
Hoje, as mulheres se equilibram em saltos altos na muvuca da calçada de pedras portuguesas, e os homens, do meio da rua, bebericam uma cerveja enquanto disputam uma das mesas onde já jantaram Tom Cruise, Madonna, Orlando Bloom e tantos outros famosos e anônimos.
Com capacidade para 90 pessoas por vez, em dias de muito agito o restô chega a receber mais de 700 clientes.
O trunfo do Sushi Leblon, em meio a tantos outros restaurantes do mesmo gênero na cidade? “Fomos pioneiros da culinária japonesa no Rio. Além disso, pesquisamos muito. Estou sempre viajando para o Japão e Nova York em busca de novidades. Este ano, por exemplo, desenvolvemos cervejas artesanais para harmonizar com a comida”, explica Carolina.
Suportes de velas trazidos de Nova York   (Foto: Thiago Justo)Suportes de velas trazidos de Nova York (Foto: Thiago Justo)
Quando não está no apartamento de frente para a praia de Ipanema, ela escapa para a casa de Búzios, que divide há seis anos com a irmã Bia. No refúgio da Praia Rasa, lê e relaxa ao som das ondas.
Além de descanso, lá é também lugar de praticar esportes e onde os amigos são sempre bem-vindos. Quando a casa está cheia, Carolina organiza almoços com peixes e mariscos comprados fresquinhos na Peixaria de Maguinhos. Sua nova mania é grelhar abacaxis e peras para servir de sobremesa.
Carolina Gayoso (Foto: Thiago Justo)Toalha listrada e chápeu sobre o banco posicionado de frente para a Praia Rasa (Foto: Thiago Justo)
A casa, cujo projeto demorou dois anos para ser concluído e foi assinado pelo arquiteto Miguel Pinto Guimarães, é arejada e aconchegante, com claraboias e janelões de vidro que dividem os ambientes, num terreno de 2.000 m². “O que mais gosto é poder ver o mar de qualquer lugar, como se estivesse em um navio.”
Os detalhes do décor ficaram a cargo das irmãs, que garimparam almofadas estampadas em Trancoso e combinaram poltronas de madeira de Carlos Motta a móveis e objetos de decoração da ilha de Java.
A empresária, de vestido Lenny Niemeyer, caminhando pelo corredor do segundo andar (Foto: Thiago Justo)A empresária, de vestido Lenny Niemeyer, caminhando pelo corredor do segundo andar (Foto: Thiago Justo)
Mesmo no dolce far niente, Carolina não abandona a alimentação saudável, característica presente em todos os seus empreendimentos. Nem os esportes: hoje, ela substituiu o body-board e o windsurf por  pedaladas até a vizinha Cabo Frio ou por trilhas em Búzios e remadas nas canoas havaianas em companhia do marido.
“Todo mundo que vem aqui acha as canoas o máximo porque quase ninguém tem. Mas vários amigos fortões desistiram de andar nelas de tanto que ela virou. É que a forma de remar é outra, não requer apenas força, mas equilíbrio”,  se diverte a esportista, que correu para o mar da Praia Rasa logo que nossa sessão de fotos acabou. Luiza Mussnich
Carolina Gayoso (Foto: Thiago Justo)Detalhe do cantinho embaixo da escada, decorado com velas e gongo comprado na butique Afranio, no Rio (Foto: Thiago Justo)