Luis Monteiro for Vogue Portugal with Grace Anderson

Photography: Luis Monteiro. Styling: Pablo Patanè. Hair: Salvo Peluso. Makeup: Fausto Cavaleri. Model: Grace Anderson.

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Novo filme ‘O Irlandês’ de Scorsese com Al Pacino e Robert De Niro fala sobre máfia e envelhecimento

Durante entrevista, os dois atores aproveitaram o reencontro para falar sobre trabalho, Oscar e de ‘O Irlandês’, nova produção original da Netflix
Dave Itzkoff, The New York Times

De longe, De Niro, Pacino e Scorsese até parecem um grupo de titãs, durante cena de ‘O Irlandês’ Foto: Netflix

LONDRES – Não há placa comemorativa do encontro, e nenhum de seus protagonistas sabe dizer exatamente a data em que ocorreu, mas foi em algum lugar da 14th Street, no East Village, de Manhattan, que, no final da década de 1960, dois atores novatos chamados Robert De Niro e Al Pacino se cruzaram pela primeira vez. Eles estavam começando, desfrutavam os primeiros sabores do trabalho e da visibilidade mais constantes e se conheciam por nome e reputação. Compararam seus currículos, mediram-se um pelo outro – Pacino ainda se lembra de achar que De Niro tinha “um visual incomum e uma certa energia” – e cada um foi embora para seu lado, imaginando o que o futuro reservava para si mesmo e para o homem que acabara de conhecer.

Meio século depois, os dois entraram em uma suíte de hotel de luxo no rio Tâmisa para falar sobre seu novo filme, O Irlandês, com essas incertezas há muito superadas. De Niro e Pacino conquistaram praticamente tudo o que um ator pode almejar. Foram muito além das aspirações mais exageradas que tinham quando jovens. Presentearam o cinema com alguns de seus personagens mais hipnotizantes e explosivos em clássicos como – vamos falar de uma vez – Taxi DriverScarfaceTouro Indomável e a série O Poderoso Chefão.

Nisso, suas trajetórias acabaram se entrelaçando de maneira inesperada. Eles não são apenas colegas e colaboradores ocasionais, mas amigos de verdade, que às vezes arranjam um tempo para pôr o papo em dia, vislumbrar possíveis projetos e tirar sarro um do outro.

“A gente se encontra, conversa, troca ideias”, explicou De Niro. “Mas não temos muita saudade. Só um pouco.” O mais surpreendente de tudo talvez seja que, no momento em que eles poderiam apenas se deitar sobre os louros da vitória – e já foram acusados disso –, Pacino, 79 anos, e De Niro, 76 anos, continuam se dedicando inteiramente ao ofício.

O Irlandês é dirigido por Martin Scorsese e coloca os dois atores juntos na tela pela terceira vez. O filme, um drama policial de amplo alcance e muita ambição, tem os olhos voltados para o passado e plena consciência de que, mais cedo ou mais tarde, tudo chega ao fim. Esse tema encontra forte ressonância tanto em Pacino, que interpreta Jimmy Hoffa, o irredutível presidente da International Brotherhood of Teamsters (uma liga de sindicatos dos Estados Unidos) quanto em De Niro, que é produtor do filme e dá vida a seu personagem-título, Frank Sheeran, um secretário do sindicato que tinha ligações com a máfia e reivindicou a autoria do assassinato de Hoffa.

Ambos os atores sabem muito bem da importância de seus legados, e em O Irlandês oferecem atuações vitais como sempre. Agora, se já não têm mais nada a provar para o público, encontram motivação no desejo de superar seus próprios feitos e de acompanhar o ritmo um do outro. Nas raras ocasiões em que trabalham lado a lado, disse Pacino, “isso diminui o peso, e aumenta a pressão”. Eles deixaram marcas tão profundas no imaginário popular que são precedidos por caricaturas – não totalmente infundadas – de si mesmos. Pacino, com os cabelos compridos presos em um rabo de cavalo, é o mais arrebatador da dupla, e De Niro, bem vestido, é o mais reticente. Quando lhe perguntaram como ele e Scorsese trouxeram Pacino para O Irlandês, De Niro respondeu: “Falei: ‘Marty, o que você acha do Al para fazer o Hoffa?’. E ele falou: ‘Sim, ótimo”. Mas eles também compartilham uma descontração de décadas e, quando estão juntos, gostam de mexer um com o outro. Riram muito da ideia de que Pacino teria que passar por testes para conseguir seu papel em O Irlandês. “É, eu perguntei se ele poderia ler algumas falas do roteiro”, disse De Niro sarcasticamente. Logo depois levantou a mão e encerrou essa audição imaginaria de maneira um tanto abrupta: “Ah, tudo bem, já está bom”. Pacino entrou na brincadeira e, com uma voz baixa e suave, descreveu como ele lidaria com a tarefa hipotética: “Olha, estou ensaiando faz tempo, não é o seu roteiro, é uma peça de Shakespeare, vou ler uns trechinhos para você”, disse ele. Os dois riram muito e, como sempre faz quando está se divertindo de verdade, De Niro semicerrou os olhos e abriu aquele famoso sorriso de orelha a orelha.

Eles já tinham se encontrado, de maneira fugaz, mas espetacular, em 1995, no drama policial Fogo contra Fogo, de Michael Mann, filme sobre um ladrão engenhoso (De Niro) e o obstinado investigador (Pacino) que o persegue. Treze anos se passaram antes que De Niro e Pacino se reencontrassem, em As Duas Faces da Lei, um drama policial genérico do qual nenhum dos dois se lembra com muito carinho. “Fizemos”, disse De Niro, com humildade. “Fizemos, sim.”

Os atores tiveram dificuldade de explicar por que o tema velhice, discutida no filme, os atraiu. Com alguma hesitação, De Niro disse que ele e Pacino tiveram de lidar com as questões existenciais que O Irlandês suscita. “Chegamos a um ponto em que estamos mais perto de ver…”, ele fez um gesto trêmulo com a mão, enquanto procurava as palavras certas. “Não quero dizer o fim, mas o horizonte”, disse De Niro. “O começo daquilo que está do outro lado.” Pacino disse que enxergou essas ideias com mais clareza depois do término das filmagens: o que quer que eles tenham demonstrado em suas atuações, disse ele, foi o resultado da direção de Scorsese e do longo processo de gestação do filme. “Ele acessou – é uma palavra nova que estou usando muito agora, mas eu gosto –, ele acessou algo que eu nem consigo identificar, que fiquei surpreso por sentir. O que é este ponto em que estamos agora? O que estamos fazendo?”

Seria mais fácil se eles admitissem que querem que seus filmes resistam à prova do tempo. “Claro que você pensa nisso”, disse De Niro. “Você faz coisas das quais gostaria que as pessoas se lembrassem de um jeito especial, mais que especial.” O Irlandês, que recebeu algumas das críticas mais entusiasmadas que Pacino, De Niro e Scorsese já mereceram, parece pertencer a essa categoria. 

(Tradução de Renato Prelorentzou)

Os cuidados essenciais com a barba no verão

As dicas de cuidados essenciais para manter uma barba limpa e saudável no verão
POR GLAUCO JUNQUEIRA

Seja curta ou longa, durante o verão a barba fica exposta ao sol, calor, suor, a água do mar e da piscina, fatores que podem acabar danificando os fios (foto: Unsplash)

Cuidar da barba no barbeiro é fácil, não é mesmo? O difícil é manter os pelos faciais sob controle, em casa. E o tipo de cuidado varia também de acordo com a estação.

Assim como os cabelos, a qualidade dos fios da barba diminui durante o verão devido à exposição excessiva dos pelos faciais ao sol, mar e piscina. Estes fatores causam o ressecamento dos fios, deixando-os quebradiços e opacos. Segundo Ana Paula Kascher, da B.URB, a incidência dos raios UV, o cloro e a água salgada também podem oxidar os pigmentos dos fios, causando mudanças na coloração da barba. “É importante adotar alguns cuidados extras para manter a barba saudável durante o verão”, diz a Ana, que separou algumas dicas:

– Lave bem a barba. Principalmente após sair do mar ou da piscina, é importante que você lave a barba para tirar o cloro ou o sal que ficaram nos fios. Além disso, o sol e o calor podem aumentar a oleosidade da face, estimulando a dermatite seborreica no local. “Lavar ajudará a controlar a produção de óleo e eliminar as sujeiras. Para isso, utilize shampoos específicos para a barba, que além de limpar, removerá o acúmulo de impurezas do dia-a-dia, tornando os fios mais fortes e saudáveis”, explica.

– Mantenha a barba hidratada. Quando exposta ao sol e ao calor do verão, a barba precisa de hidratação adequada para manter-se saudável, já que esses fatores provocam a quebra das cutículas dos fios, tornando-os ressecados e quebradiços. O uso de óleo para barba pode ajudar a reduzir esse mal.

– Utilize protetor solar. A pele embaixo da barba também necessita de fotoproteção. Para quem possui a barba curta, o filtro solar deve ser aplicado em toda sua extensão. Já para quem tem a barba volumosa, o protetor não se faz tão necessário, pois o volume dos fios cria uma sombra na face e protege toda a região coberta por eles. Mas é preciso aplicar filtro solar nas falhas ou áreas que não estão totalmente cobertas pela barba. Para isso, opte por filtros solares de toque seco que não deixam resíduos e evitam que os fios fiquem brancos por causa do produto.

– Beba bastante água. Manter-se hidratado é fundamental no verão e contribui para a saúde e aparência da pele, do cabelo e também da barba. “Por isso, tenha sempre uma garrafa de água perto de você”, finaliza.

CINEMA I Estreias: As Panteras, Ford vs. Ferrari, A Camareira, Dora e a Cidade Perdida, O Irlandês, Estaremos Sempre Juntos

‘As Panteras’, ‘O Irlandês’ e ‘Ford vs. Ferrari’ estão entre as 11 estreias da semana

O Irlandês
Direção: Martin Scorsese. Com: Robert De Niro, Al Pacino, Joe Pesci e Jesse Plemons. 209 min. 16 anos.

Adam
Idem. Bélgica/França/Marrocos, 2019. Direção: Maryam Touzani. Com: Loubna Azabal, Nessrine Erradi e Daoua Belkhaouda. 98 min. 12 anos.
Uma viúva que cria sua filha vendendo pães e doces é surpreendida pela chegada de uma jovem grávida, que lhe pede abrigo. Suas condições humildes a levam a mudar seu estilo de vida para poder ajudar a forasteira. Representante do Marrocos no Oscar de filme internacional.

Azougue Nazaré
Brasil, 2018. Direção: Sadaf Foroughi. Com: Mestre Barachinha, Ananias de Caldas e Joana Gatis. 82 min. 14 anos.
No interior de Pernambuco, jovens travam batalhas musicais. Porém, um padre acha que o maracatu é algo do diabo e que deve ser abolido da cultura. Assim, as pessoas começam a desaparecer às vésperas do Carnaval. Exibido na 42ª Mostra Internacional de Cinema.

A Camareira
La Camarista. México, 2018. Direção: Lila Avilés. Com: Gabriela Cartol, Agustina Quinci e Teresa Sánchez. 102 min. 14 anos.
Uma camareira que sonha com uma vida melhor enfrenta a solidão de longos períodos de trabalho por meio de novas amizades e de fantasias sobre os pertences esquecidos pelos hóspedes do hotel. Representante mexicano na disputa pelo Oscar de filme internacional.

​Diz a Ela Que Me Viu Chorar
Brasil, 2019. Direção: Maíra Bühler. 83 min. 16 anos.
O documentário mostra um grupo de usuários de crack confinados em um antigo prédio paulistano, tentando se desintoxicar e reconstruir suas vidas. Exibido na 43ª Mostra Internacional de Cinema.

Dora e a Cidade Perdida
Dora and the Lost City of Gold. Austrália/México/EUA, 2019. Direção: James Bobin. Com: Isabela Moner, Eugenio Derbez e Madeleine Madden. 103 min. 10 anos.
Na adaptação da animação infantil “Dora, a Aventureira”, uma adolescente exploradora precisa resgatar seus pais, que desapareceram enquanto tentavam encontrar uma antiga civilização perdida.

Estaremos Sempre Juntos
Nous Finirons Ensemble. França/Bélgica, 2019. Direção: Guillaume Canet.Com: François Cluzet, Marion Cotillard e Gilles Lellouche. 135 min. 12 anos.
Vivendo uma crise de meia-idade, um homem resolve passar o seu aniversário apenas com a mulher em sua casa de praia. Mas uma festa-surpresa que ela preparava instaura o caos naquele que deveria ser um fim de semana tranquilo.

Ford vs. Ferrari
Ford v Ferrari. EUA/França, 2019. Direção: James Mangold. Com: Christian Bale, Matt Damon, Caitriona Balfe e Josh Lucas. 152 min. 12 anos.
Na década de 1960, determinada a entrar no ramo das corridas automobilísticas, a construtora Ford traz um engenheiro experiente e um piloto audacioso para tentar desbancar a multicampeã Ferrari na prova das 24 Horas de Le Mans.

Invasão ao Serviço Secreto
Angel Has Fallen. EUA, 2019. Direção: Ric Roman Waugh. Com: Gerard Butler, Morgan Freeman e Piper Perabo. 120 min. 14 anos.
Um agente secreto de alta patente é acusado de tentar assassinar o presidente dos Estados Unidos, de quem esteve encarregado de proteger durante anos. Determinado a provar sua inocência, ele precisa fugir do FBI e investigar o real culpado pelo crime simultaneamente.

O Irlandês
Direção: Martin Scorsese. Com: Robert De Niro, Al Pacino, Joe Pesci e Jesse Plemons. 209 min. 16 anos.
Narrado do ponto de vista de um ex-assassino profissional, o filme recria o desaparecimento do lendário líder sindical Jimmy Hoffa e mostra sua associação com importantes nomes da política dos Estados Unidos. Produção da Netflix que ganha exibição nos cinemas. Do mesmo diretor de “Os Infiltrados” (2006).

As Panteras
Charlie’s Angels. EUA, 2019. Direção: Elizabeth Banks. Com: Naomi Scott, Kristen Stewart, Elizabeth Banks, Ella Balinska e Patrick Stewart. 118 min. 14 anos.
Duas espiãs de elite e uma cientista se unem para encontra um executivo que roubou uma nova fonte de energia, que pode ser usada como uma arma mortal. Adaptação da série de televisão homônima.

Os Parças 2
Brasil, 2019. Direção: Cris d’Amato. Com: Tom Cavalcante, Whindersson Nunes e Tirullipa. 97 min. 12 anos.
Tentando juntar dinheiro para mandar um amigo que corre perigo para fora do país, três malandros passam a reformar e gerenciar uma decadente colônia de férias. Quando parecem estar no caminho certo, eles são descobertos pelo mafioso que os ameaça.

Maior muro verde da Europa irá produzir 6 toneladas de oxigênio

Com espaços de acesso e uso públicos, prédio antigo terá jardim vertical como fachada e promete impacto ambiental positivo
POR LUCIANA RAMOS | FOTOS DIVULGAÇÃO/SHEPPARD ROBSON.

Seja em casas ou prédios, o uso de jardins verticais transforma o cotidiano – e a saúde – das grandes metrópoles, que padecem sob a poluição produzida diariamente por carros e gases tóxicos. A mais recente proposta de contribuição para a sustentabilidade da vida urbana, em Londres, é expressa pelo Citicape House, que traz sua fachada coberta com 400.000 plantas incubidas de “capturar mais de oito toneladas de carbono e produzir seis toneladas de oxigênio”, conforme o estúdio de arquitetura britânico Sheppard Robson. Essa quantidade é anual.

Localizado na cidade de Culture Mile, capital do Reino Unido, o projeto do estúdio britânico, fundado em 1938, tem a missão de substituir o antigo prédio de escritórios existente na esquina do Viaduto Holborn por um que dialogue com as necessidades contemporâneas de sustentabilidade. “Em vez de ter um pedaço isolado de vegetação, sentimos que uma abordagem imersiva e integrada teria o maior impacto nas condições ambientais locais, criando uma cidade melhor e mais habitável, além de articular uma declaração arquitetônica clara”, afirma Dan Burr, parceiro da Sheppard Robson.

A fachada verde será possível devido ao alinhamento das plantas às treliças da estrutura externa do edifício, que preservará seu tamanho e forma originais. Ao final das obras, o prédio, de 11 andares, conterá um hotel cinco estrelas, áreas de escritórios, espaços de trabalho e eventos, um bar com sky, spa e restaurante no térreo. Uma pequena praça ainda figurará no térreo, devido ao recuo na construção a ser realizado na região da esquina.

O edifício ainda prevê um terraço de acesso público, na cobertura, contendo espécies nativas de flores silvestres ameaçadas e uma vista panoramica de toda a cidade. “Os espaços acessíveis ao público e uma rica mistura de usos permitem que o público permaneça à noite e nos fins de semana, todos diretamente adjacentes a um importante centro de transporte e seguindo o ethos do desenvolvimento sustentável”, ressalta Burr.

A transformação continua no funcionamento do Citicape House. A ideia é que o projeto tenha seus conceitos extendidos às atividades estruturais e cotidianas do prédio, fazendo-o funcionar da maneira mais sustentável possível. Vidros eficientes atuarão para minimizar o ganho de calor no edifício, que será combinado com fontes de energia renováveis, incluindo bombas de calor de fonte, além da coleta de água da chuva para irrigar a parede verde. “Os aspectos socialmente sustentáveis ​​são muito importantes para nós”, acrescentou Burr.

Décor do dia: cozinha em tons terrosos com toque oriental

Cortina roxa sob a bancada traz ares vibrantes para o ambiente

Pequena, porém notável: esta cozinha assinada pela decoradora francesa Marianne Evennou é um bom exemplo de que metragens reduzidas não significam necessariamente falta de personalidade. Pelo contrário, aqui cada detalhe conta uma história. É o caso das obras de arte, que foram trazidas de uma viagem à China. Elas substituem a área do backsplash, normalmente adornada com azulejos, e conferem ares de living ao espaço das refeições.

paleta escolhida é outro diferencial do ambiente. Enquanto as paredes e o teto foram pintados com uma tonalidade terracota, a cortina roxa sob a bancada traz um toque vibrante. Para finalizar, o piso de ladrilho antigo acrescenta detalhes vermelhos em um elegante link com o oriente.