Esperta e barata, pulseira chinesa cria novo mercado

‘Smartbands’ caem no gosto do brasileiro e popularizam a categoria de aparelhos vestíveis
Por Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

Michelli Cristini, de 26 anos, usa diariamente sua pulseira inteligente Mi Band 4

Lançado em 2014, o Apple Watch carregava mais do que a expectativa em relação a um novo produto da empresa criada por Steve Jobs. O produto inauguraria a era dos vestíveis: dispositivos inteligentes camuflados de peças de vestuário que deixariam no passado os smartphones. Não foi isso que aconteceu. Eles viraram produtos de nicho, como o de atletas. Agora, isso pode estar mudando, mas não graças a Apple. A categoria começa a romper a bolha, especialmente no Brasil, pelas mãos de fabricantes chinesas, que estão popularizando as pulseiras inteligentes.

Tanto as pulseiras quanto os relógios têm recursos parecidos: notificações, medidor de passos, contagem de batimentos cardíacos e monitoramento de sono. A segunda categoria carrega, porém, componentes extras, como rádio, sensores e antenas – itens que se refletem no preço. A versão mais recente do Apple Watch custa no mínimo R$ 4 mil no Brasil, enquanto as pulseiras inteligentes da fabricante chinesa Xiaomi custam a partir de R$ 280 – a reportagem, porém, encontrar um modelo de Mi Band 3 por R$ 115 em lojas do centro de São Paulo. 

Um argumento e tanto na hora da escolha. Segundo apurou o Estado, a Xiaomi é responsável por mais da metade das vendas de pulseiras, ou smartbands, no Brasil. “Atendemos uma demanda ainda reprimida, que busca soluções com bom custo-benefício”, diz Luciano Barbosa, diretor de produtos da Xiaomi.

A estratégia agressiva de preço da fabricante chinesa ajudou a derrubar nomes tradicionais do setor. A americana Garmin começou a vender smartbands no País em 2013, mas desistiu no começo do ano passado. 

“Não conseguimos adequar o preço no Brasil”, afirma Daniele Rocha, gerente comercial da Garmin. “Nossos produtos oferecem dados muito completos e os valores do mercado são muito fora da realidade.” Os carros-chefe da empresa são relógios inteligentes, que custam a partir de R$ 1,6 mil, e têm como público-alvo os amantes dos esportes – a Garmin não tem planos imediatos de voltar a vender pulseiras no País. 

Quando questionada sobre o segredo dos preços, a Xiaomi diz que a fórmula é uma combinação de produção em grande escala com margens menores. 

Bom momento

A liderança da empresa se deu num momento favorável para a categoria. Segundo a consultoria IDC Brasil, o mercado de pulseiras e relógios inteligentes no País cresceu 93% no primeiro trimestre, em comparação ao mesmo período de 2018. 

Para Renato Citrini, gerente de produtos de dispositivos móveis da Samsung, o mercado de vestíveis está amadurecendo no Brasil. “O cliente chega perguntando pelo produto”, diz. “Muitos já estão no segundo ou no terceiro aparelho.” 

A gigante coreana, que trouxe ao Brasil sua primeira pulseira em 2015, tem hoje dois modelos de smartband, que custam a partir de R$ 300, e duas versões de relógios, cujo preço mínimo é R$ 1,5 mil. 

Além de já serem mais reconhecidas, as pulseiras estão indo além do nicho de atletas que se interessam pelo acompanhamento de treinos: elas estão conquistando o público comum, preocupado com o próprio bem-estar. “Os consumidores estão começando a enxergar o valor de funcionalidades de aparelhos vestíveis”, diz Ranjit Atwal, analista da consultoria Gartner.

A Xiaomi vê nesse tipo de produto uma forma de facilitar atividades do dia a dia do usuário. Michelli Cristini, profissional da área de tecnologia da informação, passa o dia todo com sua pulseira inteligente no braço. “Estou em uma rotina de emagrecimento e a pulseira está me ajudando a monitorar quantas calorias estou queimando”, afirma Michelli. “Uma simples pulseira consegue fazer muita coisa, é quase uma experiência futurista.”

Produto de entrada

Ainda que os preços sejam um incentivo, as pulseiras não vão engolir os relógios inteligentes. Pelo contrário: a tendência é os usuários investirem mais em produtos sofisticados depois de entrarem em contato com a tecnologia. Segundo a IDC Brasil, os relógios vão se sobressair futuramente no mercado em relação às pulseiras. 

A Gartner diz que a venda mundial de relógios deve duplicar de 53 milhões, em 2018, para 115 milhões, em 2022. Já as pulseiras devem crescer menos: de 38 milhões para 51 milhões de aparelhos no mesmo período. 

Uma das razões é que os relógios estão mais perto de ser um aparelho celular do que um acessório que precisa estar próximo a um smartphone. Muitos relógios têm conexão com redes 4G e aplicativos complexos, que dispensam o apoio do smartphone. Já as pulseiras só funcionam se conectadas ao celular. 

Ao que tudo indica, os vestíveis estão pulsando mais forte do que se imaginava. 

Anúncios

Notificações e monitor de sono: o que atrai usuários para ‘smartbands’

Pulseiras inteligentes conseguem atrair com recursos que vão além da atividade física; ‘radar’ de celular salvou aparelho preso no bueiro
Por Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

Juliana Moreira monitora seu sono com a pulseira chinesa

A pulseira inteligente do aprendiz Matheus Alvarenga salvou a vida de seu smartphone: ela conseguiu achar o aparelho, perdido dentro de um bueiro. O telefone caiu lá sem que ele percebesse e só foi encontrado após Matheus ativar em seu pulso a ferramenta de localização do smartphone. 

Matheus nunca usou a pulseira da Xiaomi para atividades físicas e, mesmo assim, não sai de casa sem o dispositivo. Isso porque, durante o dia, recebe no pulso todas as notificações e chamadas de ligações. “Perdia muita ligação quando estava em período de entrevistas de emprego. Depois que comprei a pulseira, nunca mais perdi.” 

Aos 22 anos, Matheus entrou no mundo de vestíveis porque se deparou com uma pulseira barata na internet – hoje, está em seu segundo aparelho, a Mi Band 4, que ainda não está à venda nos canais oficiais da Xiaomi no Brasil. Ele está satisfeito: “A pulseira peca um pouco nas notificações de WhatsApp, que às vezes são duplicadas. Mas, pelo preço, para mim está de bom tamanho”, diz. 

No caso da especialista em TI Michelli Cristini, de 26 anos, o preço não influenciou tanto na hora da compra. “Por questão de segurança, não teria um relógio caro, chama muito a atenção na rua”, afirma. Michelli anda bastante de metrô em São Paulo e a pulseira a ajuda nos trajetos: com o aparelho ligado no pulso, ela pode deixar o celular protegido na mochila, sem perder nenhuma notificação. 

Lucia Filgueiras, professora de engenharia da computação na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, explica que as pulseiras inteligentes são baseadas em uma estratégia de mudança de comportamento do usuário. “Quem usa a pulseira quer monitorar seus hábitos e acompanhar seu progresso, e o usuário fica amarrado à tecnologia”, afirma. “Isso não é necessariamente algo negativo, geralmente se reverte em melhoria da qualidade de vida.” Em algumas pulseiras, é possível estabelecer metas de atividades físicas. 

A pulseira ajudou Juliana Moreira, de 20 anos, a se adaptar a uma mudança de horários. Ela trabalhava de manhã e, recentemente, passou a entrar à tarde. “Eu estava dormindo muito e o recurso de monitoramento de sono da pulseira me ajudou a controlar os horários”, diz a ela, que trabalha com de gestão de qualidade. Além disso, Juliana não precisa mais se preocupar em lembrar de tomar anticoncepcional – agora essa função é da pulseira.

Mudanças no iOS 13 envolvendo localização são anticompetitivas, dizem desenvolvedores

Uma pequena mudança no iOS 13 está causando uma grande polêmica.

Como notamos nesse apanhado de novidades do futuro sistema, a Apple mudou a forma com que os apps de terceiros podem lidar com a captura de localização dos usuários. Antes, eram oferecidas aos consumidores três opções: “Permitir Sempre”, “Durante o Uso do App” ou “Nunca”. A partir do iOS 13, a primeira opção muda para permitir “Durante Uso do App” — a opção de “Permitir Sempre” ainda está disponível, mas os usuários precisam ir até os Ajustes para ativá-la (o que, presumivelmente, poucos farão).

A Apple justifica a novidade como (mais) uma forma de proteger os usuários de possíveis abusos na coleta de dados, mas um grupo de desenvolvedores considera a mudança abusiva e anticompetitiva. Segundo eles, a Maçã implementou a nova política para coibir o funcionamento de aplicativos populares e, com isso, destacar seus próprios apps — que, integrados ao sistema, podem contornar essas limitações.

Como trouxe o The Information, um grupo de sete desenvolvedoras do iOS enviou um email ao CEO Tim Cook queixando-se sobre a mudança. Os apps mantidos por elas são todos dependentes da captura de localização permanente, e as desenvolvedoras alertam que, caso os usuários não sejam “conhecedores o suficiente” para alterar os ajustes de privacidade do iOS, os aplicativos poderão simplesmente deixar de funcionar.

Dentre as empresas que assinaram o email, temos a Zendrive, a Happn, a Tile e a Zenly, que desenvolve o app homônimo mantido pela Snap. No caso dessa última, os desenvolvedores adicionaram ao aplicativo uma tela secundária instruindo os usuários sobre como alterar os ajustes de privacidade do sistema para que o Zenly continue funcionando; a solução, entretanto, é considerada deselegante e prejudicial à experiência do usuário.

O email lembra que aplicativos da própria Apple, como o Buscar, não precisam passar pelo mesmo processo para capturar a localização dos usuários continuamente, o que significaria um favorecimento da gigante de Cupertino por seus próprios apps. Os desenvolvedores sugerem ainda uma solução: um processo em duas etapas no qual os usuários liberariam, na própria configuração dos apps, a captura de localização contínua.

A Apple não respondeu diretamente às desenvolvedoras, mas afirmou, em comunicado ao The Information, que trabalhará com as empresas para chegar a uma solução que agrade a todas as partes. A gigante de Cupertino lembrou também que implementou as mudanças para tornar a App Store um lugar mais seguro para todos os seus usuários, e que mesmo muitos dos seus próprios aplicativos estão sujeitos à mudança — o Buscar é uma exceção por conta da sua funcionalidade e do seu aspecto de segurança.

Ficaremos atentos, portanto, para os futuros desdobramentos dessa história. [MacMagazine]

VIA MACRUMORS

Novos Apple Watches terão modelos feitos de titânio e de cerâmica

Muitos rumores sobre os futuros iPhones e iPads — e até mesmo sobre o MacBook Pro; já sobre o Apple Watch, como foi falado no último episódio do MacMagazine no Ar, nada. A Apple estava conseguindo guardar os segredos da nova geração do seu relógio mas, agora, ela mesma deu com a língua nos dentes.

Vasculhando os arquivos internos do watchOS 6, iHelp BR descobriu uma novidade interessante relacionada aos futuros relógios da Maçã.

No passado, caso você não lembre, a Apple já ofereceu versões do Watch feitas de ouro e ouro rosa (no Apple Watch original) e cerâmica (no Apple Watch Series 2 e 3) — além dos tradicionais de alumínio e aço inoxidável (materiais que a Apple trabalha desde Apple Watch original).

Pois bem: as animações encontradas dentro do watchOS mostram que a empresa pretende oferecer também Apple Watches feitos de titânio e, novamente, de cerâmica.

As animações (que finalizam nas imagens acima) em questão são referentes ao processo inicial de configuração do Apple Watch e, nelas, podemos ver as inscrições “44MM TITANUIM” e “44MM CERAMIC“. Cerâmica, como falamos, a Apple já trabalhou no passado; titânio, no entanto, é um material inédito e que será muito bem-vindo.

Isso porque, como afirmou Marco Arment, relógios de titânio podem ser feitos para serem visualmente idênticos aos de aço, sendo um pouco mais escuro e muito mais leve. Resta saber se a Apple oferecerá tais opções além das já existentes (alumínio e aço inoxidável) ou se algumas delas chegará para substituir as atuais (trocar o aço inoxidável por titânio, por exemplo).

Ainda que as imagens mostrem os relógios de 44mm, vale notar que os novos materiais também serão oferecidos nos Apple Watches de 40mm.

Um tour pela nova sede da Fortissimo em Tel Aviv

A Fortissimo, um fundo de private equity que investe em tecnologia e empresas industriais, contratou recentemente a empresa de arquitetura Alter Architects para projetar sua nova sede em Tel Aviv, Israel.

Lobby

“O espírito da empresa nos inspirou a projetar um espaço elegante e clássico e, ao mesmo tempo, corajoso, moderno e ousado. Todos os elementos do espaço foram criados e projetados exclusivamente para o projeto. Os tetos centrais foram projetados com diferentes geometrias exclusivas – para instalá-los no escritório, tivemos que voar com uma equipe profissional de Portugal especializada em trabalhar com esse material exclusivo. As ilhas geométricas são cobertas com mármore triturado que aumenta suas propriedades acústicas. As divisórias de vidro foram compradas na Itália e cobertas com um verniz exclusivo importado do Japão. O sistema de iluminação é projetado de acordo com o layout do espaço, levando em consideração a experiência do usuário e movimento. Todos os móveis foram cuidadosamente selecionados de alguns dos principais designers e lojas de design do mundo, incluindo: Patricia Urquiola, Cas-sina, Minotti, Gubi, Philip Stark, Quinty e vários outros excelentes designers. Os escritórios da Fortissimo são um exemplo de um projeto “high-end” que emana o caráter elegante mas corajoso da empresa, deixando uma marca inconfundível em quem entra ”, diz Alter Architects.

fortissimo-office-tel-aviv-1
Lobby
fortissimo-office-tel-aviv-2
Lobby
fortissimo-office-tel-aviv-4
Lobby
fortissimo-office-tel-aviv-7
Lobby
fortissimo-office-tel-aviv-9
Conference room
fortissimo-office-tel-aviv-11
Conference room
fortissimo-office-tel-aviv-12
Meeting room
fortissimo-office-tel-aviv-14
Meeting room
fortissimo-office-tel-aviv-17
Workstations
fortissimo-office-tel-aviv-18
Kitchen
fortissimo-office-tel-aviv-3
Kitchen
fortissimo-office-tel-aviv-10
Lobby

Quem são os millennials que tentam salvar a Playboy?

Revista é repaginada sob nova direção – jovem e mais inclusiva
Jessica Bennett, The New York Times

Ana Dias fotografando a capa de julho, Teela LaRoux. As modelos em ensaios nus são agora fotografadas principalmente por mulheres Foto: Stephanie Noritz para The New York Times

LOS ANGELES – “Será um ensaio fotográfico com nu completo a ser realizado debaixo d’água”, dizia uma mulher ao telefone, cuja voz podia ser ouvida nos cubículos vizinhos. A pessoa do outro lado da linha parecia não compreender. “Estou dizendo que não será em terra firme.”

Era uma manhã na central da Playboy Enterprises, e os editores preparavam o fechamento da edição de verão. Debatiam as pautas enquanto, na cozinha, um barista decorava o café com leite desenhando orelhas de coelho na espuma. No seu escritório, Shane Singh, editor executivo da Playboy, explicava que o ensaio subaquático, a ser fotografado naquele fim de semana, seria para a capa da revista.

“A água deve representar a fluidez sexual e de gênero”, disse Singh. As mulheres posando na água – os membros entrelaçados como em uma pose de balé – não eram apenas modelos, mas também ativistas. Uma delas usa a arte performática  e a mídia digital para compartilhar histórias a respeito da epidemia de AIDS. Outra é uma dançarina subaquática que promove a preservação dos oceanos. A terceira, uma artista belga, filmou a si mesma caminhando nua por um bairro de judeus ortodoxos no Brooklyn durante um feriado (foi expulsa por uma turba).

Trata-se de uma nova Playboy, mais inclusiva – se acreditarmos nos seus executivos, e se estivermos dispostos a aceitar mais uma reinvenção dessa antiga marca. Faz tempo que se debate o lugar de uma publicação cujo lema é “Entretenimento para homens” em um mundo mais igualitário. Mas, quando o fundador da Playboy, Hugh Hefner, morreu em 2017, essa discussão ganhou força: teria sido ele uma voz visionária da libertação sexual e da liberdade de expressão, ou um safado que fomentava a misoginia?

Na época, a Playboy vivia uma atordoante sequência de tentativas de recomeço. Nos anos mais recentes, a revista teve a tiragem e periodicidade reduzidas; os anúncios deixaram de ser impressos; diretores executivos foram substituídos; e, mais notável, a nudez foi brevemente banida – antes de ser trazida de volta, com a campanha “Nudez é normal”. No início do ano passado, o financista Ben Kohn, que ajudou a fechar o capital da Playboy em 2011 e atua agora como diretor executivo, disse ao Wall Street Journal que pensava em se livrar da revista, para se concentrar no licenciamento e nas parcerias.

Mas a Playboy foi relançada este ano – dessa vez com papel de luxo, sem anúncios, e com periodicidade trimestral. É editada por um triunvirato da geração millennial: Singh, declaradamente gay, 31 anos; Erica Loewy, 26 anos, diretora de criação; e Anna Wilson, 29 anos, supervisora de fotografia e multimídia. O resultado é uma revista virtualmente irreconhecível, totalmente diferente daquela criada por Hefner. Uma porta-voz da Playboy disse que a família Hefner não detém mais nenhuma participação financeira na empresa.

A edição de verão, atualmente nas bancas, traz uma entrevista com Tarana Burke, fundadora do movimento MeToo; quadrinhos queer; e uma reportagem a respeito de brinquedos eróticos unissex. Durante o seu auge, nos anos 1960 e 1970, a Playboy chegava a quase sete milhões de assinantes, publicando obras de Andy Warhol, Margaret Atwood e Hunter S. Thompson, além de entrevistas com Martin Luther King Jr. e Fidel Castro.

Mas então vieram revistas mais explícitas como Penthouse e Hustler, e então a internet, que desfez o modelo do erotismo e da pornografia impressa e paga, tornando-a digital e gratuita. A Playboy estava perdendo dinheiro e, com isso, Hefner obteve um financiamento para fechar o capital da empresa.

Certos aspectos da marca continuaram rendendo: destilados e perfumes da Playboy; colaborações com grifes da moda; um cassino em Londres; uma casa noturna recentemente reaberta em Nova York e mais – especialmente na China, onde a marca tem mais de três mil lojas, disse Kohn. De acordo com ele, os consumidores gastam cerca de US$ 3 bilhões nos produtos e serviços da marca a cada ano. O relançamento da revista fazia sentido como forma de “extensão da marca”.

“Falamos muito a respeito do que é o olhar de Playboy e da necessidade de diversificar isso”, disse Rachel Webber, 37 anos, diretora de marketing. Ela chegou no ano passado vindo da National Geographic em parte por causa da oportunidade de trazer uma marca “tradicional” para a era moderna. “É um pouco como estar em uma aula de estudos de gênero”. Indagada a respeito da possiblidade de reinventar a Playboy, Joanna Coles, ex-editora-chefe da Cosmopolitan, disse: “Sob a ótica atual, Hugh Hefner é grotesco, e as mulheres dele são vítimas. A publicação pertence ao passado, como o figurino de Hugh”.

De acordo com Kohn, a revista alcança atualmente “uns duzentos mil” assinantes. Três quartos desse público são de homens. Depois de assumir o comando, dois anos e meio atrás, ele disse ter recuperado cerca de US$ 15 milhões em parcerias e acordos de licenciamento de produtos que “não representavam mais a marca”. Ele acrescentou que a empresa deseja expandir suas atividades para o ramo da cannabis, cuidados com a pele, brinquedos eróticos e bem estar sexual.

Desde janeiro, Rachel trabalhava com sua equipe na redação de uma declaração de missão da empresa refletindo a nova direção seguida. De acordo com ela, o objetivo é alcançar um público metade feminino. “Para mim, ser relevante é mais importante do que pensar em um público-alvo”, disse ela. “Mas acredito que, para sermos relevantes, temos que assumir posicionamentos em relação às questões e interessar igualmente a todos os gêneros.” / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL