Julia Roberts vai a evento com bota da marca brasileira Alexandre Birman

A bota Susanna é desenvolvida pela label brasileira Alexandre Birman e está a venda por R$1.890

Julia Roberts (Foto: Divulgação)

Na noite dessa quinta-feira (16.05) a atriz Julia Roberts esteve em Los Angeles para apresentar o ASCAP 2019 Pop Music Awards.

A atriz vestiu, para a ocasião, um vestido Givenchy combinado com a bota Susanna desenvolvida pela label brasileira Alexandre Birman queestá a venda por R$1.890.

Bota Susanna (Foto: Reprodução)
Anúncios

Uso de inteligência artificial pode aumentar desemprego no Brasil, diz FGV

Feita em parceria com a Microsoft, pesquisa aponta que ocupação pode cair até 4 pontos porcentuais em 15 anos; empregos pouco qualificados seriam prejudicados, mas tecnologia aumentaria renda média do brasileiro
Por Bruno Romani – O Estado de S. Paulo

Pesquisa da FGV com a Microsoft revela a influência da inteligência artificial no trabalho

Responsável por reduzir burocracias, automatizar processos e aumentar a eficiência, o uso de inteligência artificial (IA) pode aumentar o desemprego no País em quase 4 pontos porcentuais nos próximos 15 anos. Os dados são de um estudo desenvolvido pelo professor Felipe Serigatti, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a Microsoft, e foram apresentados nesta sexta-feira, 17. 

Para simular o impacto da adoção de IA na economia brasileira, a pesquisa estipulou três cenários: um conservador, no qual a taxa de crescimento da adoção de IA pelo mercado brasileiro é de 5%, durante 15 anos. Nesse panorama, a economia também cresce menos do que o estimado para os próximos anos. No cenário intermediário, o número é de 10%, com crescimento estável. Já no mais agressivo, em um mundo em que a economia tem projeção otimista de crescimento, a adoção de IA subiria 26% no período  – é nesse último que o desemprego pode aumentar em 3,87 pontos porcentuais, no saldo geral da população. 

No mais severo dos cenários, os mais afetados serão os trabalhadores menos qualificados, que poderão ver o desemprego aumentar em 5,14 pontos porcentuais; já o número de vagas qualificadas pode subir com a adoção massiva de inteligência artificial, em até 1,56 ponto percentual. “A inteligência artificial aumentará a desigualdade”, alertou Serigatti, que é professor de Economia da FGV. 

A pesquisa analisou seis segmentos diferentes da economia: agricultura, pecuária, óleo e gás, mineração e extração, transporte e comércio e setor público (educação, saúde, defesa e administração pública). Os trabalhadores mais afetados no cenário mais agressivo são os mais qualificados dos setores de óleo e gás e de agricultura, dois dos principais pilares da economia brasileira. O primeiro tem redução nos empregos de 23,57%, e o segundo, de 21,55%. “Esse impacto é diferente entre jovens e adultos, mas ainda precisamos de mais dados”, disse Serigatti. 

Na pesquisa, foram considerados apenas cenários em que varia o uso de inteligência artificial – foram desconsideradas possíveis influências de reformas como a previdenciária ou a tributária,  bem como mudanças no padrão de crescimento da economia.O pesquisador também falou que os resultados são heterogêneos entre os setores – na agricultura, por exemplo, há segmentos muito diferentes entre si. 

Aumento de renda

Por outro lado, a implementação da tecnologia promete aumentar a renda tanto dos trabalhadores menos quanto dos mais qualificados, em todos os cenários.  No cenário mais agressivo, os menos qualificados terão aumento de 7% na renda, enquanto os mais qualificados verão esse número em 14,72%. No mercado geral, o aumento de renda será de 9,26%

A pesquisa também detectou nos três cenários o aumento do bem estar da população, o que segundo Serigatti é definido como acesso de bens de consumo e serviços: 0,9% no cenário mais brando e 9,6% no mais agressivo. 

O aumento do PIB também é registrado nos três cenários: 0,64% (brando), 1,32% (intermediário) e 6,43% (agressivo). “Com o crescimento do PIB, isso faz a sociedade gerar um volume maior de renda e a aumentar a produtividade, o que fará até com que os indivíduos afetados negativamente tenham maior acesso a bens e serviços”, diz Serigatti. 

Educação

O anúncio da pesquisa foi realizado dentro de uma palestra sobre educação da Microsoft – empresa que tem longa relação com o governo brasileiro e trabalha no setor de educação. Em fevereiro, ao visitar o País, o presidente executivo da empresa Satya Nadella lançou uma série de cursos gratuitos de capacitação em IA , em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Serviço Nacional da Indústria (Senai). 

“A educação é mais importante do que nunca para o futuro do Brasil e pagará dividendos em 20, 30, 40 anos. Eu disse isso a ministros da educação anteriores”, disse Anthony Salcito, vice-presidente da divisão de educação da Microsoft, durante a apresentação. Questionado pelo Estado sobre o momento do Ministério da Educação, ele repassou a palavra para Vera Cabral, diretora de educação da empresa no País. “É difícil falar sobre governos, mas a gente gostaria de ter um ministro da educação que realmente desse prioridade para a educação”, declarou a executiva. 

‘Quebrar’ o Facebook seria solução em último caso, diz comissária da UE Margrethe Vestager

Rede social é apontada como uma opção para limitar o poder da companhia; comissária alegou desgaste judicial como motivo para evitar o pedido de desmembramento
Por Agências – Reuters

Margrethe Vestager acredita que desmembramento do Facebook tomaria muitos anos na Justiça 

A comissária da União Europeia Margrethe Vestager disse nesta sexta-feira, 17, que “quebrar” o Facebook seria uma solução de último recurso. A maior rede social do mundo, que também é dona de dois gigantes aplicativos de mensagem – WhatsApp e Messenger – e do Instagram tem sofrido pressão sobre sua responsabilidade nos uso de dados e na influência de milhares de usuários no mundo.

A comissária foi questionada sobre o assunto durante evento de tecnologia em Paris, depois que políticos dos Estados Unidos e Chris Hughes co-fundador do Facebook ter recentemente se declarado a favor do desmembramento.  

Vestager, conhecida pela posição forte contrária a empresas de internet em diversos processos, disse que obrigar o Facebook desmembrar provavelmente geraria longos processos judiciais.

“[Desmembrar] seria um remédio de último recurso. Acho que isso nos manteria em tribunal por talvez uma década. É muito mais direto e talvez muito mais poderoso dizer que precisamos de acesso aos dados”, disse Vestager.

Minecraft Earth é o game de realidade aumentada da série da Mojang

Anunciado nesta sexta-feira, meta do jogo é fazer jogadores usarem blocos e interagirem no mundo real, com ajuda de seus celulares; lançamento oficial ainda não está previsto

Jogar Minecraft no mundo real, interagindo com blocos virtuais pela tela do celular: essa é a ideia por trás de Minecraft Earth, novo game de realidade aumentada da série da Mojang, estúdio que criou o jogo em 2009 e hoje é de propriedade da Microsoft. Anunciado nesta sexta-feira, 17, Minecraft Earth terá seus primeiros testes realizados no segundo semestre deste ano; o lançamento oficial, porém, ainda não tem data para acontecer. 

Minecraft Earth estará disponível gratuitamente para iPhone e Android, promete a Microsoft – já a forma de monetização do jogo não foi definida. Uma vez que o game será gratuito, é bastante possível esperar que a empresa fature vendendo itens dentro do jogo, com microtransações. O anúncio acontece na semana em que Minecraft está completando 10 anos de existência no mercado – e para a Microsoft, o jogo promete quebrar barreiras. 

“Minecraft Earth promete quebrar um dogma da computação: a ideia de que uma pessoa usa um único dispositivo para criar uma única experiência”, disse o engenheiro brasileiro Alex Kipman, participante do projeto, ao site americano The Verge. “Com Minecraft Earth, o conteúdo está no mundo real.” Isso significa que os jogadores poderão interagir para, juntos, usarem blocos para fazer prédios virtuais ao lado de edifícios reais, por exemplo. Outra possibilidade é um jogador “roubar” os blocos de outro que está perto de si – mas os dois estarão próximos no mundo real, o que trará uma dinâmica “divertida” à ética do jogo. 

De acordo com o time da Microsoft, o jogo usa a realidade para basear suas locações: lagos e rios, por exemplo, serão lugares onde os jogadores poderão pescar dentro de Minecraft Earth. Em parques, haverá árvores, que podem ser usadas como recursos para construção – da mesma forma como no jogo. 

No entanto, é um desafio para a Microsoft saber como isso será processado com milhares ou milhões de jogadores curtindo o jogo juntos. Vale lembrar que, há três anos, Pokémon Go provocou balbúrdia em grandes cidades com uma dinâmica parecida – ao The Verge, a Microsoft disse que terá sistemas para evitar que o jogo virtual cause estragos no mundo real, invadindo museus ou propriedades privadas, por exemplo. 

Estilista Flavia Aranha destaca-se com roupas em tingimento natural e técnicas sustentáveis

Uma decepção com a indústria da moda levou a estilista paulista Flavia Aranha a descobrir o que a tornaria um dos talentos de sua geração: técnicas naturais e sustentáveis que conquistam clientes no Brasil e no exterior
ADRIANA FERREIRA SILVA

Flavia Aranha em seu ateliê, em São Paulo (Foto: Helena Wolfenson)

Um aroma amadeirado se espalha pelo ensolarado galpão onde funciona o ateliê da grife Flavia Aranha, na zona oeste de São Paulo. “É cheiro de pau-brasil e crajiru”, diz a estilista, abrindo as panelas dentro das quais fervem os tecidos de algodão orgânico que vão ganhar as cores das duas plantas que perfumam o ambiente. Em alguns deles, o método fica impregnado, como no macacão com aplicação de fragmentos de araucária. Essas características tornaram Flavia, de 35 anos, uma estilista cobiçada aqui e no exterior. Suas peças amplas e delicadas caíram no gosto das francesas, por exemplo, que frequentam sua única loja, na Vila Madalena, ou na recente filial em Lisboa, dentro da multimarcas Casa Pau Brasil – um segundo ponto será inaugurado em Cascais, também em Portugal.

Esse modus operandi conectado com o cenário do slow fashion e da sustentabilidade – e aprovado pelo Sistema B, movimento global que certifica empresas que criam produtos e serviços voltados a resolver questões socioambientais – surgiu de uma insatisfação com a indústria da moda. Nascida em Campinas, no interior paulista, Flavia é apaixonada por costura, hábito que herdou das avós. “Aos 12 anos, entrei num curso de corte e costura”, diz ela, que aos 17, após uma temporada na prestigiada Central St. Martins, em Londres, se mudou para a capital paulista para estudar moda. Trabalhou com Karlla Girotto antes de cair nas graças de Adriana Bozon, da Ellus, onde ascendeu rapidamente e descobriu o tino para o empreendedorismo.

Na marca, foi convocada a fazer uma viagem de 40 dias pela China e Índia, onde se deparou com o lado macabro da indústria. “Vi de tudo, desde crianças trabalhando a mulheres bordando no chão de terra batida, perto do esgoto. Voltei chocada”, descreve. Foi nessa mesma aventura, porém, que ela encontrou o que viria a se tornar sua marca registrada: o tingimento natural. Na volta, Flavia pediu demissão e passou a criar peças diáfanas e fluídas, coloridas em chás de camomila, capim-limão, carqueja, que vendia em sua primeira loja, numa vila no mesmo quarteirão onde está hoje sua boutique. Desde então, a estilista viaja pelo país para descobrir novas técnicas, que agora também se tornarão tema de intercâmbios em seu recém-lançado Instituto Teia. “O Brasil não investe em sua mão de obra, que é muito potente, criativa e ligada à nova diversidade”, acredita. No que depender de Flavia, esse cenário será outro muito em breve.

BELEZA ANDERSON AYRES (CAPA MGT) COM PRODUTOS NARS E L’ORÉAL  PRODUÇÃO-EXECUTIVA VANDECA ZIMMERMANN

The National: novo disco traz canções tão belas quanto doloridas

Participações de cantoras como Gail Ann Dorsey, Sharon Van Etten e Lisa Hannigan dão novo tom à banda

The National (Graham MacIndoe/.)

(4AD; disponível nas plataformas de streaming) As letras tristonhas e a voz de Matt Berninger sempre foram a base do The National. O novo disco do grupo americano, I Am Easy to Find, muda um tanto esse figurino, com a participação de cantoras convidadas como Gail Ann Dorsey, ex-integrante da banda de David Bowie, e as musas do rock alternativo Sharon Van Etten e Lisa Hannigan. É um álbum sólido, com melodias bem elaboradas pelo guitarrista (e compositor erudito bissexto) Bryce Dessner, e canções tão belas quanto doloridas — Not in Kansas é uma das melhores. O disco será complementado por um clipe de luxo: um curta-metragem de vinte minutos, com Alicia Vikander no elenco.

Melhor que filme do Queen, longa sobre Elton John não esconde sexo ou drogas

Obra é comercial, mas faz retrato honesto do artista
Guilherme Genestreti

Taron Egerton na pele de Elton John em ‘Rocketman’ – David Appleby/Divulgação

CANNES (FRANÇA) – “Rocketman”, cinebiografia sobre Elton John, é tudo o que o anódino “Bohemian Rhapsody” não consegue ser. Embora seja uma obra igualmente comercial, assim como o filme do Queen, faz um retrato honesto e não esconde reluzentes carreiras de cocaína, cenas tórridas de sexo gay ou os fracassos do biografado da vez. O longa fez sua estreia mundial no Festival de Cannes e entra em cartaz no Brasil no próximo dia 30.

Uma de suas sacadas é o fato de ser um musical, isto é, repleto de números cantados pelos atores e com função narrativa, em vez de simplesmente reproduzir cenas de shows. O registro também é completamente diferente, mais fantástico e menos realista do que a história sobre Freddie Mercury.

Não dava mesmo para esperar outra coisa da biografia de uma pessoa tão extravagante como Elton John. O diretor Dexter Fletcher usa as canções do músico para acompanhar cenas de orgias psicodélicas e apresentações em que os espectadores voam em êxtase.

A história acompanha a trajetória do garoto gordinho e com problemas de autoestima que é um ás no piano. A rebeldia recalcada, fruto de ter vindo de uma família desestruturada, o levaria para o rock e para a bem-sucedida parceria com Bernie Taupin, seu letrista.

Tudo é contado a partir da perspectiva do músico já mais velho e que vai procurar ajuda num grupo de ajuda mútua para superar todos os vícios (bebida, droga, remédio, sexo). A primeira cena o traz montadíssimo e com um enorme par de asas vermelhas contando os problemas numa roda.

Daí se seguem relatos do pai durão e da mãe distante, shows concorridos, festas na piscina e muita bebedeira. Tudo é costurado por números dos muitos hits do músico: “Your Song”, “Goodbye Yellow Brick Road”, “Bennie and the Jets”, “Rocket Man”, “Daniel”… Na maior parte das vezes, as letras caem como uma luva na história que se conta; noutras, nem tanto.

Em conversa com a imprensa após a exibição, a equipe do filme não se safou de comparações com “Bohemian Rhapsody”. Fletcher, aliás, foi quem assumiu a direção do longa sobre o Queen após a conturbada demissão de Bryan Singer e evitou comentar o assunto. “Vamos falar sobre ‘Rocketman’, pessoal?”, pediu.

“Os dois filmes são lances totalmente diferentes”, afirmou Taron Egerton, inglês de 29 anos que assumiu o papel de Elton John. “O nosso é um musical, e não uma cinebiografia tradicional. Adotamos licenças poéticas, as canções não são cronológicas.”

Outra das grandes diferenças é o retrato da sexualidade do biografado. Se o filme sobre Freddie Mercury escondia as aventuras homossexuais do cantor, “Rocketman” se permite um pouco menos de pudor e exibe Egerton em amassos com Richard Madden, que faz o papel do seu empresário cafajeste.

Ainda assim, Fletcher foi forçado a cortar 40 segundos das cenas de sexo, segundo a imprensa britânica, mas o diretor não comentou o assunto.

O jornalista se hospeda a convite do Festival de Cannes