Décor do dia: banheiro com piso e paredes azuis e teto de madeira

A decoração do cômodo foi inspirada na grande paixão das crianças da casa: as baleias azuis
POR MARIANA CONTE | FOTOS DIVULGAÇÃO

As filhas dos moradores desta casa londrina são apaixonadas pela vida marinha, em especial pelas baleias azuis. Por isso, a equipe do escritório Rise Design Studio se inspirou nos animais para decorar o banheiro. Ali, tanto o piso quanto as paredes ganharam um tom de azul escuro que contrastam com o teto em placas de madeira clara. Um armário com espelhos dá sensação de amplitude ao cômodo enxuto e nichos na parede para armazenamento de produtos ajudam no aproveitamento de espaço. Um quadro com uma imagem de baleia arremata o décor temático.

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Madeira volta a ser usada em construções americanas

Críticos, no entanto, alertam para o risco de incêndios e questionam a durabilidade do material
C. J. Hughes, The New York Times

A produção de madeira polui pouco em comparação com a do concreto e do aço. Foto: John Muggenborg para The New York Times

As construtoras deixaram de usar madeira para muitas outras coisas, mantendo-a apenas para a construção de casas desde os temposdos primeiros automóveis. Mas a madeira está voltando. Procurando projetos mais verdes, as construtoras agora optam por madeira para a construção de edifícios de escritórios, apartamentos e complexos escolares. Nem todos aprovam a tendência. Persistem as preocupações com a resistência às chamas e à resistência da madeira em si, bem como o seu custo, que pode ser 30% superior ao dos materiais tradicionais.

Mas os que defendem a sua volta obtiveram uma grande vitória no mês passado, quando o International Code Council, uma influente organização de assessoria de Washington, concluiu que alguns edifícios de madeira podem chegar a 18 andares, mais que o dobro da altura atualmente permitida, sem comprometer a sua segurança.

No estado de Wisconsin, duas construções foram feitas majoritariamente em madeira. Uma delas é um edifício de escritórios de sete andares. O outro é uma torre de luxo de 21 andares, com 201 unidades para serem alugadas, que será a construção de madeira mais alto do hemisfério ocidental. Ambos aguardam a aprovação, mas esperam tornar-se os pioneiros, este ano.

Ao contrário da produção de concreto e aço, que gera enormes quantidades de dióxido de carbono, a de madeira é um processo relativamente pouco poluente, segundo Tim Gokhman, diretor da New Land Enterprises, que está realizando os projetos em Wisconsin.

As árvores são facilmente renováveis, e atingem praticamente sua altura máxima em cerca de dez anos, disse Jason Korb, arquiteto de ambos os projetos da New Land. E acrescentou que torres de madeira já existem ou estão sendo levantadas na Austrália, Áustria, Canadá e Noruega, entre outros lugares.

Para os que acham que os edifícios de madeira se assemelhem a cabanas de troncos, a atual safra tem fachadas de metal ou de tijolos, como mandam os códigos de construção devido às restrições por causa de possibilidade de incêndios, o que significa que os edifícios muitas vezes não se destacam pela fachada.

No seu interior, entretanto, estão amplamente expostas superfícies com delicadas estrias de madeira como no Carbon 12, um condomínio de oito andares, e 14 unidades, no Oregon, atualmente a mais alta estrutura de madeira dos Estados Unidos. O Carbon 12 custou 11 milhões de dólares e foi 20% mais barato do que uma versão em concreto.

Ben Kaiser, o construtor, disse que além dos seus benefícios para o meio ambiente, as construções de madeira apresentam um ótimo desempenho no caso de terremotos por sua maior leveza e flexibilidade. Os que defendem o uso da madeira precisam superar ainda um preconceito antigo. Nos anos 1800, os incêndios eram um verdadeiro castigo, daí a imposição de restrições da madeira.

E, por outro lado, a madeira hoje não é mais o que costumava ser. A redução das antigas florestas  faz com que as construtoras não possam mais contar com enormes troncos que antes suportavam os andares. Ao contrário, dependem da mass timber, um produto industrializado composto de camadas de abeto ou pinheiro prensados juntos  semelhantes a compensado, mas com um aspecto mais elegante.

A madeira do tipo nail-laminated, que pode ter diversas aplicações na construção de um edifício, reforça a estrutura do T3, um prédio de escritórios de sete andares, construído há três anos, em Minnesota. Oitenta e dois por cento do edifício revestido de aço é alugado a clientes como o Amazon. A imobiliária Hines, que criou o T3, está levando o projeto para cidades como Atlanta, onde um prédio de sete andares, de 23 mil metros quadrados, projetado e construído com a Invesco Real Estate, será inaugurado neste verão.

A madeira continua cara, mas, apesar do seu aspecto de produto de linha de montagem, a mass-timber (madeira laminada e comprimida em várias camadas) com a qual as fábricas fazem grandes painéis que montam no local, representa uma economia de tempo e de custo da mão de obra.

Apesar dos sucessos recentes, houve também tropeços. Conseguir aceitação da mass timber parece particularmente difícil na cidade de Nova York. Mas no Brooklyn estão em andamento alguns projetos, inclusive dois edifícios de escritórios. Estes edifícios, de três e cinco andares, obedecem aos códigos da prefeitura, que limita os prédios de madeira a sete andares.

Como em Nova York os terrenos são muito caros, um edifício baixo pode ser mais irreal, afirmam as construtoras. A altura é uma limitação para o frustrado Jeff Spiritos, construtor e ex-executivo da Hines. Mas dentro em breve, Nova York poderá se tornar mais atraente, por causa do resultado da votação realizada em dezembro pelo International Code Council. “Eu me sinto muito seguro quanto ao imperativo ambiental da mudança da maneira como construímos”, disse Spiritos, “pela saúde do planeta”.

Mais startups enviam uma mensagem incomum para investidores de risco: desapareçam

Surge um movimento contrário ao modelo de capital de risco de pressão por hiper crescimento
Por Erin Griffith – The New York Times

Para empresas, capital de risco resultam em sucesso ou fracasso enormes

Há alguns meses, numa manhã ensolarada de sábado, na cidade de Nova York, um grupo de fundadores de 50 startups se reuniu no bar Lower East Side. Eles faziam anotações,  sentados nas longas mesas do bar bebendo um café enquanto uma pilha de caixas de pizza exalava um cheiro de alho frito. Um a um eles prestaram seu depoimento sobre algo quase sagrado no setor de tecnologia: o capital de risco.

Joseh Haas, cofundador da Bubble, startup de programação de software, disse ao grupo que os investidores de risco “estavam totalmente em outra sintonia” com relação à trajetória da sua empresa.

Seph Skerrit, fundador da Proper Cloth, empresa de roupas, disse que toda a publicidade em torno da possibilidade de levantar recursos era uma armadilha.

“Eles procuram fazer com que você se sinta inferior se não entra no jogo”, afirmou.

O evento foi organizado por Frank Denbow, 33 anos, figura conhecida no ambiente de tecnologia de Nova York e fundador da Inka.io, que produz camisetas, e seu objetivo foi reunir os fundadores de startups que começam a questionar a estrutura de investimentos exacerbada dentro do seu campo. Ao incentivar as empresas a se expandirem rápido demais, afirmou Denbow, o capital de risco faz com que elas “acelerem seu tombo”.

O modelo de negócios respaldado no capital de risco, com base no qual o setor de tecnologia moderna foi criado,  é simples: as startups levantam muito dinheiro de investidores e o utilizam para crescerem agressivamente – mais rápido do que a concorrência e mais rápido do que as empresas normais considerariam saudável. E financiamentos cada vez maiores chegam até elas.

O objetivo final é vender a companhia ou registrá-la em Bolsa com retornos impressionantes para os investidores iniciais. Essa estrutura gerou nomes conhecidos como Facebook, Google e Uber e centenas das chamadas empresas unicórnio avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.

Mas para cada unicórnio existe um número incontável de startups que também cresceram rápido demais, gastaram o dinheiro dos investidores e desapareceram, desnecessariamente. Os planos de uma empresa startup são feitos para o resultado mais promissor possível e o dinheiro intensifica tanto os sucessos como os fracassos. A mídia social está repleta de histórias de companhias que desapareceram devido à pressão do hipercrescimento, foram esmagadas pelo “capital de risco tóxico” ou forçadas a levantar um volume excessivo de capital de risco, o que é conhecido como “efeito foie gras”.

Agora um movimento contrário, liderado pelos empreendedores, está rejeitando esse modelo. Embora sejam uma pequena parte da comunidade, esses fundadores passaram a se manifestar com mais ênfase no ano passado ao depararem com o apetite insaciável por crescimento dos investidores de risco e a infinidade de crises observadas no setor de tecnologia.

Teria a liderança do Facebook ignorado os sinais de alerta para a interferência russa na eleição ou permitido que sua plataforma incitasse a violência racial se não tivesse, anteriormente, privilegiado um crescimento rápido e assumido riscos sem pensar nas potenciais consequências, achando que tudo estaria bem mesmo se fracassasse? O Uber teria adotado estratégias legais e normativas duvidosas se não tivesse priorizado a expansão acima de tudo? E o setor de tecnologia estaria se debatendo com discriminação de raça e gênero se o financiamento por investidores fosse um pouco menos homogêneo?

“A ferramenta do capital de risco é específica no caso de uma minúscula fração de companhias e não podemos nos permitir enganar achando que ele é a história do futuro empreendedorismo americano”, disse Mara Zepeda, de 38 anos, que em 2017 ajudou a fundar uma organização de defesa chamada Zebras Unite. Entre seus membros estão fundadores de startups, investidores e fundações que procuram incentivar o surgimento de um setor mais ético, com mais diversidade racial e de gênero. O grupo tem 40 sucursais e 1.200 membros em todo o mundo.

“Quanto mais acreditamos nesse mito mais ignoramos oportunidades fantásticas”, disse ela.

Excluídos. Alguns grupos rejeitam o capital de risco porque foram excluídos dessa rede. Aniyia Williams, que fundou a Black&Brown Founders, sem fins lucrativos, disse que o sistema de financiamento de risco que provoca inúmeras falências para cada empresa bem sucedida é particularmente injusto para com fundadores negros, latinos e mulheres que “raramente se permitem fracassar”. Os membros dessas organizações, segundo ela, veem mais valor quando grupos inteiros em suas comunidades prosperam,  em vez do modelo “o vencedor leva tudo” do capital de risco.

Outros fundadores decidiram que as expectativas com a aceitação do capital de risco não valem a pena. O investimento de risco é um jogo de apostas altas em que as empresas ou se tornam um enorme sucesso ou total fracasso.

“Ocorreram grandes problemas quando fundadores aceitaram sem saber, ou sem querer, esse tipo de investimento cujo objetivo era de um resultado com o qual não sabiam que estavam se comprometendo”, disse Josh Kopelman, investidor da First Round Capital e que financiou Uber, Warby Parker e Ring.

“Eu vendo combustível para jatos e algumas pessoas não querem fabricar um jato”, disse ele.

E no momento esse combustível parece ilimitado. Os investimentos de capital de risco em empresas nos Estados Unidos chegaram a US$ 99,5 bilhões em 2018,  o mais alto patamar desde 2000,  de acordo com a consultoria CB Insights. E os investimentos se estenderam para além do hardware e software, chegando a setores adjacentes – passeio de cachorros, saúde, cafés, agricultura, escovas de dente elétricas.

Mas pessoas como Sandra Oh Lin, diretora executiva da KiwiCo, que vende kits de atividades para crianças, dizem que mais dinheiro é desnecessário. Ela levantou pouco mais de US$ 10 milhões entre 2012 e 2014, mas agora vem recusando ofertas  uma vez  que sua empresa vende um produto que as pessoas querem – o momento exato em que os investidores adoram injetar mais recursos. A KiwiCo é uma empresa lucrativa e contabilizou quase US$ 100 milhões em vendas em 2018, um crescimento de 65% em comparação com o ano anterior.

“Somos agressivos no que se refere a crescimento, mas não somos uma empresa que busca crescer a qualquer custo. Queremos criar uma empresa que dure”.

Os empresários estão mesmo buscando maneiras de se desfazer do dinheiro que extraíram dos fundos de capital de risco. Wistia, empresa de software de vídeo, usou a dívida para pagar seus investidores, declarando seu desejo que buscar um crescimento sustentável e lucrativo. Buffer, empresa de software com foco em mídia usou o lucro contabilizado para fazer a mesma coisa. Posteriormente Joel Gascoigne, seu fundador e diretor executivo, recebeu mais de 100 e-mails de outros empreendedores inspirados por ele  – ou com inveja.

Novas formas de capital. Em setembro, Tyler Tringas, um empresário de 33 anos baseado no Rio de Janeiro, anunciou seu plano de oferecer um tipo diferente de financiamento para startups na forma de investimento de capital que as empresas podem pagar com uma porcentagem do seu lucro. A Earnest Capital terá US$ 6 milhões para investir em 10 a 12 companhias por ano.

Centenas de e-mails chegaram a ele desde o anúncio, disse Tringas.

“Quase todos foram de pessoas que supunham não existir nenhuma forma de capital que fosse condizente com suas expectativas”, afirmou.

A Earnest Capital se insere numa lista crescente de empresas, como a Lighter Capital, Purpose Ventures, TinySeed, Village Capital, Sheeo, XXcelerate Fund e Indie.vc, que oferecem diferentes maneiras de se obter dinheiro. Muitas usam variações de empréstimos baseados em receitas ou lucros. Esses empréstimos, contudo, são disponibilizados com frequência  apenas para companhias que já tem um produto para vender e um fluxo de caixa com dinheiro entrando.

A Indie-vc, com sede em Salt Lake City e parte da empresa de investimentos O’Reilly AlphaTech Ventures, oferece às startups a opção de comprarem de volta as ações da firma como parte de suas vendas totais. Isso limita o retorno da empresa a três vezes o seu investimento. No modelo de capital de risco típico, os ganhos no caso de um acordo bem sucedido são ilimitados.

Quando iniciou suas atividades há três anos, a Indie-vc  recebia duas a três solicitações por semana, a maior parte de empresas rejeitadas pelo capital de risco. Hoje são dez por semana, a maioria de companhias que conseguem levantar capital, mas não querem, disse Bryce Roberts.

“Acho que será um tsunami de empreendedores que experimentaram o modelo de capital de risco igual para todos e querem escolher partes desse modelo que funcionem para eles”, afirmou.

Alguns investidores de risco têm aplaudido a mudança; seu estilo de investimento não é adequado para muitas empresas. Num blog recente a Founder Collective, que investiu no Uber e Buzz Feed,  elogiou a proposta de Bryce Roberts e alertou os fundadores de startups para os riscos do financiamento tradicional.

“O capital de risco não é ruim, mas é perigoso”, alerta a postagem.

A Founder Collective elaborou rótulos e folhetos de advertência para enviar para suas companhias. /TRADUÇÃO TEREZINHA MARTINO

Rei da noite, Facundo Guerra marca a ascensão e queda do centro paulistano

Empresário é dono de bar no subsolo do Theatro Municipal e de novo clube de jazz

Facundo Guerra na piscina de bolinhas secreta de seu bar Arcos Eduardo Knapp/Folhapress

SÃO PAULO –Peça fundamental da aura mística que atrai turistas e novos moradores à cidade, a noite paulistana não tem um dono. Mas, se houvesse, ele seria Facundo Guerra, 45, empresário mais lembrado pela geração pós-2000 que bebeu, se drogou, beijou ou só foi pela selfie a uma das 12 casas criadas pelo grupo Vegas.

Tudo leva o selo de Guerra. Da primeira boate, mito noturno que ainda dá nome ao grupo, até o empreendimento mais recente, o Arcos, um bar do início do século 20 recuperado por R$ 2,5 milhões no subsolo do Theatro Municipal e reaberto neste mês.

Seus projetos são elogiados por resgatar prédios esquecidos de São Paulo para lhes dar vida, fachada e drinques novos. Mas são, na mesma medida, vinculados a um estouro imobiliário de seus entornos, como o da Bela Vista, na região central, e à higienização de uma paisagem antes famosa pelos inferninhos e bares de bebida barata sem estrelas.

Ele até planeja abrir, no próximo mês, a primeira filial do clube americano de jazz Blue Note, no Conjunto Nacional, e em agosto, no antigo Cine Ipiranga, uma espécie de boate para gamers batizada de Arcade. O miolo entre a avenida Bridadeiro Luís Antonio e a rua da Consolação, no entanto, é seu principal legado.

Além do Vegas, há Volt (morto), Lions (vivo), Pan Am (morto), Yacht(vivo), Drive In (morto), Cine Joia (vivo), Riviera (repassado) e Mirante Nove de Julho (repassado). Todos cruciais para entender a montanha-russa da cena paulistana e a persona desse argentino radicado no Brasil que, antes de empresário, é um agitador cultural da cidade.

“Não quero fazer noite, mas sim espaços de sociabilidade. Gosto de criar lugares para humanos se encontrarem, porque testei todos os modelos e os que dão certo são lugares que não repetem fórmulas de antigamente, quando havia ‘door police’, por exemplo, um jeito de incluir apenas gente bem-vestida ou amigo de alguém”, explica Guerra.

“Cansei de ser barrado em porta de boate nos anos 1990, essa época que dizem ter sido o auge da noite quando, na verdade, era uma época de bolhas, de clubinho de amigos.”

Sua ideia de abraçar a diversidade tem a ver com a formação. Do fim dos anos 1970, quando veio ainda criança para São Paulo com os pais, até a sua adolescência, quando “todos os dias cruzava a linha imaginária de classes entre Santa Cecília e Higienópolis”, ele teve de se adaptar às várias faces da cidade.

Ele puxa da memória os ataques de playboys a travestis que frequentavam as proximidades da Biblioteca Mário de Andrade e as tentativas frustradas de se encaixar, sem sucesso, em grupos dos colégios de elite onde estudou, como o Bandeirantes, quando era alvo de chacotas pela ascendência argentina e a timidez.

“Sempre fui um moleque sensível, portanto, bicha. Essa pecha me acompanhou toda a vida. Buscando me entender, percebi que ser assim é uma questão identitária, de comportamento, que você pode não transar com homens e ser bicha”, diz ele.

Mesmo hoje, pai de uma garota de sei anos, Pina, fruto de sua relação com a apresentadora de televisão Vanessa Rozan, ainda há especulações sobre sua sexualidade. “E isso me incomoda, muito.”

Talvez por isso suas casas noturnas nunca tiveram gênero ou público alvo únicos.

Guerra e os sócios José Tibiriça e João Cury reformaram um antigo galpão na decadente rua Augusta para abrigar noites de rock, techno e a clientela gay. Espaço mítico da cena paulistana, onde se reuniam jovens de diferentes classes e origens, o Vegas surgiu em 2005 e foi pioneiro entre clubes não gays ao pôr transexuais na porta de entrada como “hostess” e a formar filas de atores famosos sem passe livre. Naquele inferno escaldante, todos eram iguais diante dos olhos do dono.

A pujante política de revitalização do centro promovida pelo então prefeito José Serra e encampada pelo subprefeito da Sé à época, o vereador Andrea Matarazzo, ajudaram o grupo a se espraiar pela região central e tomar o poder de medalhões como D-Edge, Fun House ou The Week.

“Ele foi empreendedor, aproveitou que estávamos levantando o centro, desativando parte da praça Roosevelt para ela deixar de ser esconderijo do tráfico e limpando a área. Tanto o Vegas quanto o Cine Joia foram projetos muito importantes na função de atrair público para a região”, afirma Matarazzo.

Mas só púbico não faz noite. Assim como coleciona mais de uma dezena de animais empalhados em sua casa no Pacaembu, fruto do interesse em taxidermia que o levou até a fazer curso em Paris, Guerra coleciona uma série de sociedades desfeitas.

Entre elas a que tinha até 2017 com o ex-secretário municipal de Cultura André Sturm no Drive In, projeto de exibição de filmes clássicos no Belas Artes, em frente ao bar Riviera, que durou dois anos de contas nunca fechadas.

“Facundo é uma usina de ideias e me empolguei com seu entusiasmo. Mas, por mais que sejamos entusiastas, não podemos pagar para trabalhar. Havia um custo fixo e um giro pequeno nas sessões diárias. Nunca fizemos a conta de quanto custaria, por isso não deu pra continuar”, diz Sturm.

Essa mesma conta que não fecha acabou com outra parceria, da qual Guerra lembra com desgosto e culminou em um número bloqueado no WhatsApp. Anunciada como a cooperação de dois reis da noite, ele, a promessa, e José Victor Oliva, o experiente dono da Gallery, ícone dos 1970, a Storymakers foi criada para botar ordem no negócio.

No papel de sócio-investidor, Oliva pôs “um checão” nas mãos de Facundo —o valor nunca foi divulgado— e adquiriu participação nos negócios do grupo Vegas. Ao mesmo tempo que cresciam o Pan Am, o Riviera e o Mirante Nove de Julho, subia o choque de realidade em lidar com a caixa registradora de cada lugar.

“Eram filosofias diferentes. Nunca fui movido pelo dinheiro, não tenho o sonho da Ferrari própria. Vivo com R$ 15 mil por mês muito bem. Não deu, acabamos a sociedade e tchau, nunca mais quero conversa”, dispara Guerra. “Quebrei naquele ano [2017], perdi o Mirante e o Riviera, mas me reergui pelo prestígio.”

O fim do que seria uma parceria perfeita assume outro aspecto na voz de José Victor Oliva, que define o ex-sócio como “uma mistura de Walt Disney com Indiana Jones”.

“É um menino fora de série, encantador. Seria parceiro dele para o resto da vida, mas não entrei no negócio para fazer uma ONG. Ele tinha um drone [ainda tem] que ficava rodando o dia todo procurando lugares, escavacando, procurando o tesouro. É o que ele sabe fazer”, explica Oliva. “Mas é desajuizado, dá vontade de colocar no colo e dar conselhos.”

O fim da picada para ele teria sido o dia em que Guerra e Marcelo Beraldo, outro sócio na empreitada, teriam brigado de “forma assustadora” no escritório. Beraldo não foi encontrado para comentar o imbróglio.

“Quando se convive com ele você passa a não acreditar mais em 95% das coisas que ele diz, porque a ideia é boa, mas por trás dela está tudo sempre desarrumado. Tenho horror disso”, diz.

E não para. “Além disso, é a cara dos lugares, mas nunca aparece. É aquele tipo de jogador incrível, mas que nunca faz gol. Você acha que ele vai conseguir manter essas três casas esse ano mais as que já tem? Espero que sim.”

Facundo Guerra, porém, alguma coisa aprendeu com a bancarrota. No terceiro dia de funcionamento, o Arcos, no Theatro Municipal, faturou R$ 25 mil. “Precisa faturar R$ 40 mil para se manter”, revela, não sem uma ponta de ansiedade por, mais uma vez, falar de grana.

“Olha, de verdade, juro pela minha filha olhando nos seus olhos, nunca fiz por dinheiro. Minha missão é encontrar uma identidade para essa cidade. Pode parecer mentira, mas não é”, diz, antes de pensar melhor e mostrar uma piscina de bolinhas, montada para a filha no fundo do bar dos Arcos.

“Faço as coisas para mim, e talvez esse seja meu problema, o ego, minha vaidade intelectual. A recuperação dos lugares é um pano de fundo, mas verdadeiro. É, pode ser que seja ego, sim.”[Pedro Diniz]


EMBALOS DE FACUNDO

O que o dono do grupo Vegas já fez em São Paulo

Vegas
2005-2012
R. Augusta, 765, Bela Vista
Fechou porque a dona recebeu uma oferta maior pelo aluguel do imóvel e Facundo Guerra não quis cobrir

Volt
2009-2015
r. Haddock Lobo, 40, Consolação
Fechou porque era mais barato tirar a parafernália do bar, que já não ia bem, e montá-la no PanAm

Z Carniceria
2009-
Abriu na rua Augusta, num antigo matadouro. Após fechar, em 2015, mudou-se para a av. Brigadeiro Faria Lima, 724, Pinheiros

Lions Nightclub
2010-
av. Brigadeiro Luís Antônio, 277, República

Cine Joia
2011-
pça. Carlos Gomes, 82, Sé

Yacht
2012-
r. 13 de Maio, 703, Bela Vista

Riviera (propriedade da Holding Clube, de José Victor Oliva)
2013-
av. Paulista, 2.584, Consolação

Mirante Nove de Julho (propriedade da Holding Clube, de José Victor Oliva)
2015-
r. Carlo Comenale, s/nº, Bela Vista

PanAm
2015-2017
Hotel Maksoud Plaza, r. São Carlos do Pinhal, 424, Bela Vista
Fechou porque uma jovem se jogou do parapeito da boate, que ficava no topo do hotel. Os negócios já iam mal, segundo José Victor Oliva, e a morte teria sido a pá de cal

Cine Drive-In
2016-2017
Cine Caixa Belas Artes, r. da Consolação, 2.423, Consolação
Fechou porque o faturamento necessário para manter a sala, toda em estilo vintage, não aconteceu

Café Lina (apenas consultoria)
2018-
av. Paulista, 900, Bela Vista

Arcos
2019-
Theatro Municipal, pça. Ramos de Azevedo, 
s/nº, República

Blue Note
fev.2019-
Terraço do Conjunto Nacional, av. Paulista, 2.073, Consolação

Arcade
ago. 2019-
Cine Ipiranga, av. Ipiranga, 786, República

Carrossel (nome provisório)
a partir de 2020-
Ainda sem local definido. Casa de striptease ‘não sexista’, que receba homens e mulheres

Kim Kardashian usa sandália Made in Brazil para aniversário de John Legend

Quer saber qual o shoemaker brasileiro eleito pela socialite?

Kim Kardashian (Foto: Reprodução)

Kim Kardashian elegeu uma sandália de um shoemaker brasileiro para arrematar sua produção de renda all black no aniversário de 40 anos de John Legend, armado no último fim de semana, em Los Angeles: o modelo Clarita de Alexandre Birman, na cor preta, à venda no e-commerce e lojas da marca por R$1.390.

Kim Kardashian (Foto: Reprodução)

O tal sapato com tira fina já é queridinho de celebridades brasileiras e internacionais, incluindo Julia Roberts e Bruna Marquezine. Veja nesta página como a socialite americana investiu na peça nas imagens em que aparece ao lado de Kanye West, Chrissy Teigen e John Legend.

Kim Kardashian (Foto: Reprodução)

Tânia Cosentino é a nova presidente da Microsoft Brasil

Paula Bellizia, que ocupou o posto por três anos e meio, agora é vice-presidente de Vendas, Marketing e Operações da empresa na América Latina

Tânia Cosentino, nova presidente da Microsoft Brasil (Foto: Divulgação)

A Microsoft Brasil tem nova presidente: Tânia Cosentino, que construiu a sua carreira no setor elétrico, assumiu nesta segunda-feira, 14, o posto até então ocupado por Paula Bellizia. A ex-presidente da empresa agora é vice-presidente de Vendas, Marketing e Operações da Microsoft América Latina.

Antes de ser convidada para trabalhar na Microsoft, Tânia ocupou diversos cargos na Schneider Eletric, onde trabalhou nos últimos 19 anos. O primeiro posto da executiva na antiga empresa foi de gerente nacional de vendas e o último de vice-presidente global de qualidade & satisfação do cliente.

“Acredito que a tecnologia pode contribuir para resolver os principais desafios do planeta: a desigualdade, a pobreza e as mudanças climáticas. A tecnologia também pode alavancar a competitividade do Brasil e é ótimo poder contribuir para um futuro melhor do meu país”, disse a executiva por meio da assessoria de imprensa.

Tânia ficou conhecida por liderar ações que renderam a Schneider Brasil reconhecimentos nas áreas de clima organizacional, inovação, diversidade e empoderamento feminino.

Novos ares. Segundo a companhia, a ex-presidente da Microsoft Brasil, Paula Bellizia agora cuidará de objetivos de negócios e estratégias da Microsoft para transformações digital e inteligência artificial para clientes de 21 países.

A executiva entrou na empresa em 2002 depois de passar por escritórios do Facebook e da Apple no País. Paula foi líder da Microsoft Brasil por três anos e meio, assumindo a posição em julho de 2015.