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Exposição traz uma faceta de Bowie que nunca foi vista

A mostra ‘David Bowie Is’ chega ao Brooklyn Museum, sua última parada, e apresenta objetos pessoais do astro do rock até então nunca expostos
Melena Ryzik, The New York Times

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Figurino de pelica, criação de Kansai Yamamoto, com uma réplica das botas vermelhas de Kabuki do estilista. Foto: Vincent Tullo para The New York Times


David Bowie amava Little Richard. Diz a lenda que estava tão apaixonado, que levava uma fotografia do esplêndido pioneiro do rock ao estúdio quando gravava.

Em 1982, durante as gravações de “Let’s Dance”, seu álbum mais vendido, ele e seu colaborador Nile Rodgers inicialmente passaram uma semana em busca de inspiração, este contou. Depois, um dia, Bowie apareceu com uma foto de Little Richard de terno entrando em um conversível vermelho: “Nile, querido, é assim que eu quero que a minha gravação soe”, disse.

“Olhei para ele pela fração de um segundo”, lembra Rodgers, guitarrista e produtor do Chic. “E ele acrescentou: ‘Nile, agora é rock ‘n’ roll’. E assim foi”.

O visual cool transformado no prazer magnético de ouvir: foi esta a marca registrada de Bowie ao longo dos seus quase 55 anos de carreira. E ela está em exposição no Brooklyn Museum com o título “David Bowie Is”, uma visão de sua arte que inclui música, vestuário, desenhos, adereços de palco e vídeos. Nela há também cerca de 100 novos objetos, alguns dos quais nunca foram expostos: um macacão de cor turquesa com o desenho de um relâmpago que ele usou uma vez, em 1973; cadernos de anotações repletos de ideias sobre seu último álbum, “Blackstar”, lançado em 2016, dois dias antes de sua morte, aos 69 anos; as Polaroids que inspiraram as capas do seu álbum.

Nos cinco anos desde sua estreia no Victoria and Albert Museum de Londres, a mostra tem sido um recorde de bilheteria em todo o mundo. Brooklyn é sua última parada. Como Nova York era sua casa, é fácil imaginar que ele quisesse isso. A expectativa era que este fosse “o próximo nível”, disse Matthew Yokobosky, curador que coordenou a mostra.

Yokobosky, em parceria com os curadores do Victoria and Albert, vasculharam o eBay em busca de raros singles de vinil e programaram as lâmpadas de bulbo que compõem a palavra BOWIE na entrada, como podiam ser vistas pela última vez, em uma série de concertos “relâmpago” em Nova York, em 2002. O material foi selecionado em um acervo de cerca de 80 mil objetos mantidos pela arquivista de Bowie, Sandra Hirshkowitz. Peças notáveis, como o delicado pano de fundo de sua apresentação, na Broadway, em 1980, em “The Elephant Man”, e sua grande coleção de objetos criados pelos fãs fazem parte da mostra.

Esta é apresentada inicialmente como uma biografia – os primeiros anos de David Jones, seu nome real – e depois, de acordo com os temas, acompanhando a carreira de Bowie, o nome artístico que ele próprio escolheu em 1965.

O intuito da mostra é fazer com que seja entendida como uma trilha sonora, por meio de fones de ouvido Sennheiser, que acompanham o visitante para as diferentes locações nas galerias. O áudio começa com “Space Oddity” até uma entrevista dada à BBC por um Davie Jones cabeludo de 17 anos, em que defendeu sua recém-constituída “Sociedade para a prevenção da crueldade para com os homens de cabelos compridos”, e uma conversa nos últimos anos, na qual conta que, quando jovem, comprava discos de jazz que não entendia.

“E ficava ouvindo aquela coisa esquisita até entender”, acrescentou Bowie rindo.

Amigos e colegas do cantor têm projetos conjuntos na mostra, como o macacão “Tokyo Pop” e as botas vermelhas do designer japonês Kansai Yamamoto. Yamamoto recorda que recebeu um telefonema em Tóquio de um produtor que estava trabalhando com Bowie quando este realizava seu primeiro concerto em Nova York com o nome de Ziggy Stardust, em 1972. Eles se encontraram depois disso e colaboraram durante anos, inclusive para um macacão de uma perna só de tricô para “Ziggy Stardust”, um biquíni de seda bordado e um quimono curto para o álbum “Aladdin Sane”.

Em 1973, Bowie foi convidado para criar um episódio de um programa da NBC, “Midnight Special”, relembrou Yokovbosky. Bowie estava preparando uma versão musical de “1984”, embora nunca tenha obtido os direitos do livro de George Orwell. Por isso, o título do especial de variedades de Bowie, “The 1980 Floor Show”, tornou-se uma peça sobre “1984”.

No espetáculo, Bowie vestia a teia de aranha de Natasha Korniloff e uma roupa colante dourada, com mãos segurando os peitos e as unhas pintadas de esmalte preto. Esta foi uma das últimas aparições de Bowie como Ziggy; nela, Marianne Faithfull, vestida de freira, cantava em dueto com Bowie que usava uma camiseta e um boá de penas e PVC, em “I Got You Babe”.

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