Futurólogo britânico Ben Hammersley, criador do termo ‘podcast’, prevê caos com a quebra da criptografia na internet

Ben Hammersley diz ser contrário à regulação do Facebook e crê na criação de uma fonte inesgotável de eletricidade
Edward Pimenta

Para o futurólogo Ben Hammersley, os próximos anos serão marcados por transformações nas relações de trabalho, preocupações com cibersegurança e mudanças climáticas, deixando combustíveis fósseis de lado Foto: Divulgação

RIO – Desde que cunhou o termo “podcast” em 2004, o britânico Ben Hammersley escreveu livros a respeito de disrupção digital e se firmou como um requisitado palestrante e consultor sobre temas como cibersegurança, inovação e tendências no mundo do trabalho.

De seu apartamento em Nova York, Hammersley falou ao GLOBO, por videoconferência, a respeito do futuro e também de temas candentes do momento, como o poder das redes sociais, algo que ganhou destaque esta semana com dois eventos: a pane do Facebook, Instagram e WhatsApp e o depoimento de uma ex-funcionária do conglomerado de Mark Zuckerberg no Senado americano, onde comparou as plataformas à indústria tabagista.

O senhor é favorável a uma maior regulação das redes sociais por parte dos governos?

Regular as coisas que as pessoas dizem nas redes sociais é o começo de um caminho perigoso. Se defendermos a censura a quem diz mentiras sobre a Covid-19, ficará mais fácil para políticos insistirem na censura de quem os critica. Uma vez que a tecnologia da censura esteja montada, poderá ser usada para qualquer coisa.

O senhor defende deixar tudo como está?

Há algo errado quando a maioria das pessoas tem acesso a informações a partir de um número muito pequeno de plataformas digitais. Os algoritmos usados pelo Facebook e o YouTube para recomendar conteúdos parecem preferir temas prejudiciais. Seria mais saudável — literalmente, no caso da Covid — se as próprias plataformas se regulassem na forma como promovem e sugerem conteúdo.

Há muitos casos em que o sistema do Facebook distribuiu ativamente desinformação, o que acabou resultando em mortes por Covid, genocídio e crimes de ódio.

O senhor acredita que haverá algum tipo de regulação estatal sobre inteligência artificial (IA), que é alimentada por dados?

Sim, mas não pelas razões que pensamos sobre isso hoje. Há um belo discurso que diz que deveríamos ter a posse dos nossos dados. Há realmente informações que você pode decidir não compartilhar, por exemplo, seu nome, idade, crenças e inclinações políticas.

Mas essa é uma quantidade muito pequena. Você não pode ser o dono exclusivo de um dado sobre algo que comprou em uma loja, por exemplo. O estabelecimento também é parte dessa transação.

Na imensa maioria das vezes, IA hoje é entendida como máquinas capazes de prever o que virá a seguir. Na prática, é mais uma grande planilha de dados cruzados do que essas ideias mágicas de que os gigantes digitais serão capazes de se apossar da nossa individualidade e desvendar nossos desejos secretos.

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